Quem são e o que querem os nanicos na disputa presidencial em 2026
Enquanto os candidatos mais competitivos disputam a chance de governar o país, um grupo de legendas menores entra na corrida presidencial de 2026 com objetivos que vão além da vitória nas urnas. Para esses partidos, a eleição funciona como vitrine nacional: espaço para apresentar nomes, testar mensagens, construir trajetórias políticas ou simplesmente colocar uma ideia diante de milhões de eleitores.
No campo da esquerda, a hegemonia pertence ao PT, e siglas como PCO, PCB, PSTU e UP usam a campanha para levar ao debate nacional projetos ideológicos que dificilmente teriam espaço entre as candidaturas mais competitivas. O programa de Rui Costa Pimenta, do PCO, afirma que "as eleições são uma tribuna de propaganda das reivindicações fundamentais da população explorada". O PSTU, de Hertz Dias, tem base teórica no trotskismo, assim como o PCO — em ambos os casos, as lideranças originais foram expulsas do PT por divergências. Já UP, de Samara Martins, e PCB, de Edmilson Costa, se identificam com o marxismo-leninismo e aproveitam a disputa para divulgar ideais como o "rompimento da classe trabalhadora com a burguesia".
Há também candidatos que enfrentaram obstáculos para chegar às urnas. Leonardo Avalanche (PRTB) entrou na disputa como vice de Pablo Marçal, mas assumiu a cabeça de chapa após a Justiça Eleitoral confirmar a inelegibilidade do influenciador. Com quase meio bilhão de reais declarados ao TSE, ele participa de sua segunda eleição — em 2018, recebeu 173 votos ao concorrer a deputado federal pelo Podemos goiano. Avalanche assumiu a presidência do PRTB em 2024, após disputas internas que seguiram a morte do fundador da legenda, Levi Fidelix. Ele nega acusações de desvio de R$ 750 mil do fundo eleitoral do partido e de envolvimento com o PCC.
No DC, Clariana Barão é o "Plano C" do partido. O "Plano A" era o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo, substituído em maio de 2026, e o "Plano B" foi o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que desistiu de concorrer. Rebelo judicializou sua pré-candidatura e foi expulso da legenda após criticar a direção. Clariana, presidente estadual do DC no Mato Grosso, é a primeira candidata do partido que não é Eymael, fundador da sigla em 1995. Sua vice é a advogada Fabiana Torquato.
Já o Veterinário Wilson Grassi representa o Democrata, legenda que até dezembro de 2025 se chamava Partido da Mulher Brasileira (PMB). Fundado em 2008 por Suêd Haidar, o partido só obteve registro no TSE em 2015 e, logo depois, recebeu a filiação de um senador e 22 deputados federais — dos quais 20 eram homens. O TSE rejeitou as tentativas de mudança de nome para "Brasil 35" e "Por Mais Brasil" antes de autorizar, em dezembro de 2025, a renomeação para Democrata. Grassi, que tem Suêd Haidar como vice, nunca recebeu mais do que 4.517 votos — resultado de sua candidatura à Assembleia Legislativa de São Paulo em 2006, pelo PFL.
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Por Redação