Ranking tributário global põe Emirados em 1º e Brasil apenas na 29ª posição
Um levantamento internacional da Global Intelligence Unit, braço de pesquisa da consultoria Global Citizen Solutions, analisou 48 jurisdições e concluiu que a estrutura do sistema tributário pode ser tão relevante quanto o tamanho das alíquotas cobradas. O estudo Tax Optimization for Global Citizens avaliou os países a partir de 11 indicadores distribuídos em três pilares: carga tributária e estrutura tributária, cada um com peso de 42,5% na nota final, e migração por investimento, responsável pelos 15% restantes.
Os Emirados Árabes Unidos lideram o ranking, com 83 pontos, combinando imposto de renda de pessoa física zero, tributação de 5% sobre o consumo e ausência de cobrança na saída. Na sequência aparecem Antígua e Barbuda (82), Paraguai (77), Hong Kong (77), Bahamas (76), Malta (74), São Cristóvão e Névis (74), Malásia (74), Granada (74) e Chipre (73). Malta e Chipre são as únicas jurisdições europeias entre as dez primeiras, sustentadas por regimes tributários preferenciais, e não por alíquotas menores.
O Brasil ocupa apenas a 29ª posição. Recebeu 69 pontos em carga tributária, 31 em estrutura tributária e 85 em migração por investimento. Segundo a metodologia, o país tributa residentes em bases universais, alcançando rendimentos obtidos no exterior, e não possui regime preferencial equivalente ao de jurisdições mais bem colocadas. O levantamento considera alíquota de até 22,5% para ganho de capital, diante de mediana de 15% na amostra. No pilar de estrutura tributária, o Brasil é o 33º colocado.
Na América Latina, o Brasil é o penúltimo colocado, superando somente a Argentina. Paraguai (3º), Panamá (11º), Uruguai (12º) e Costa Rica (14º) adotam sistemas de tributação territorial. O México aparece em 22º. O estudo cita ainda o contraste entre Uruguai e Hungria: o primeiro tem alíquota de até 36%, mas a melhor pontuação em estrutura tributária da amostra e termina em 12º; a Hungria, com alíquota de 15%, fica em 31º por tributar a renda mundial dos residentes.
O Brasil tem desempenho melhor em mobilidade: o programa de residência aparece em 8º entre 35 jurisdições analisadas, e o país não cobra taxa de saída de quem transfere a residência fiscal. Das 48 jurisdições, 31 não fazem essa cobrança. O levantamento também confronta os resultados fiscais com o Global Passport Index 2026: os Emirados aparecem apenas em 124º em qualidade de vida, enquanto a Suécia é a segunda nesse indicador, mas apenas a 32ª no ranking tributário. Apenas sete jurisdições combinam posição tributária na metade superior com presença entre as 50 primeiras em qualidade de vida — nenhuma delas com imposto de renda zero.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação