Redistritamento eleitoral defendido por Trump teve efeito contrário e favoreceu democratas nos EUA
A estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de redesenhar distritos eleitorais para ampliar a bancada republicana na Câmara dos Deputados produziu resultados contrários aos esperados nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3). Em vários estados onde a iniciativa foi adotada, os republicanos não conquistaram as cadeiras pretendidas e ainda perderam para os democratas distritos que estavam sob seu controle.
Segundo levantamento publicado pelo portal americano Axios nesta quarta-feira (4), os republicanos esperavam conquistar até 15 cadeiras adicionais com as mudanças nos mapas eleitorais de sete estados. Os resultados projetados pela imprensa americana nessas regiões indicam, porém, que o partido deve terminar a disputa para a Câmara com até oito deputados a menos nessas áreas. O redistritamento consiste na alteração dos limites geográficos dos distritos que elegem deputados, permitindo concentrar ou distribuir eleitores para aumentar as chances de vitória de determinado partido. Nos Estados Unidos, o processo costuma ocorrer a cada dez anos, após o censo populacional.
Texas e Carolina do Norte
O Texas foi um dos principais exemplos do resultado inesperado. Em agosto, os republicanos aprovaram um novo mapa com o objetivo de conquistar até cinco cadeiras adicionais, estratégia elaborada após Trump ampliar seu apoio entre eleitores latinos em 2024. Nas eleições desta terça-feira, os democratas conseguiram manter a maior parte das cadeiras que os republicanos pretendiam conquistar. Os deputados Henry Cuellar, do 28º distrito, e Vicente Gonzalez, do 34º distrito, foram reeleitos. Além disso, os republicanos perderam uma cadeira que já controlavam: no 15º distrito, a deputada Monica De La Cruz foi derrotada pelo democrata Bobby Pulido. Segundo a Associated Press, o partido apostou que os eleitores latinos manteriam o apoio observado em 2024, mas a mudança de comportamento desse eleitorado prejudicou os cálculos.
Na Carolina do Norte, os republicanos alteraram os limites dos distritos para tentar conquistar cadeiras democratas, mas deixaram outros parlamentares republicanos mais vulneráveis. O partido perdeu pelo menos cinco cadeiras na Câmara, incluindo as dos deputados Richard Hudson, Tim Moore, Addison McDowell e Brad Knott. O democrata Don Davis conseguiu se reeleger no 1º distrito mesmo após a alteração de seus limites geográficos.
Tennessee, Flórida e Califórnia
No Tennessee, o partido alterou os limites do 4º distrito para distribuir eleitores republicanos entre distritos vizinhos. Análises após o redistritamento aprovado em maio apontavam que a vantagem republicana havia diminuído: nos limites antigos, Trump venceu a eleição presidencial de 2024 com diferença de 44 pontos percentuais sobre a democrata Kamala Harris; com os novos limites, a vantagem seria de aproximadamente 24 pontos. Nas eleições desta terça-feira, o deputado republicano Scott DesJarlais acabou derrotado pela democrata Victoria Broderick por apenas 280 votos, segundo projeção da imprensa americana. As mudanças também não produziram os resultados esperados na Flórida e no Alabama, onde democratas venceram em distritos redesenhados para favorecer adversários republicanos. Na Califórnia, os democratas conquistaram cinco cadeiras republicanas após aprovarem mudanças em resposta à iniciativa de Trump, resultado que contribuiu para a vitória democrata na Câmara, que passará ao controle da oposição em janeiro de 2027.
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