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Santa ou pecadora? 10 obras que mostram por que Maria Madalena é uma das personagens mais polêmicas da Bíblia

Atualizado em 19/09/2026 às 20:20 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A figura de Maria Madalena, chamada de "apóstola dos apóstolos" por ter sido a primeira a testemunhar a ressurreição de Cristo e a divulgar a notícia, é uma das mais fascinantes e controversas da Bíblia. Apesar da devoção que atravessa séculos, as referências a ela nas escrituras são relativamente poucas, e a mitologia construída ao redor de seu nome acabou ofuscando sua figura real. Ao longo do tempo, seu nome passou a representar uma combinação de diferentes personagens bíblicos e noções históricas, algumas associadas a ela com mais força do que os próprios relatos bíblicos.

É essa questão que explora a exposição Maria Madalena. Pecado. Oração. Amor, em cartaz no Museu Städel, em Frankfurt, na Alemanha. "Descobrimos essencialmente que existem três Marias Madalenas em uma", afirma o historiador da arte Bastian Eclercy, um dos curadores. Segundo ele, a primeira é a pecadora anônima, a segunda é Maria da Betânia e a terceira é a Maria Madalena bíblica, estritamente falando. O título da mostra resume as três principais formas de representação da personagem: "Pecado" representa a imagem da pecadora e penitente que moldou as percepções ao longo dos séculos; "Oração", a Maria Madalena santa e discípula de Jesus; e "Amor" relembra as diversas noções de amor, devoção e intimidade associadas a ela.

Entre as obras que ilustram essas diferentes visões está A Elevação de Santa Maria Madalena, xilogravura do alemão Albrecht Dürer (c. 1504-05), na qual Madalena aparece nua, erguida aos céus por seis anjos. A cena é inspirada na Legenda Áurea, texto do século 13 do arcebispo italiano Jacobus de Voragine, que narra a retirada de Maria para o sul da França em busca de solidão, onde era levada por anjos ao paraíso sete vezes por dia para ouvir sua música, que era seu alimento. Já em Maria Madalena no Sepulcro, do italiano Giovanni Girolamo Savoldo (c. 1535-40), a santa não é imediatamente reconhecível: o pequeno vaso no canto esquerdo e o vestido vermelho sob o manto prateado ajudam a identificá-la.

A professora de estudos cristãos Siobhan Jolley, da Universidade de Manchester, observa que o jarro é associado à mulher "pecadora" não identificada na Bíblia, que ungiu os pés de Jesus. Para ela, as obras que ilustraram Madalena ao longo dos séculos não contam muito sobre ela enquanto indivíduo real. "Elas contam, pelo menos para mim, muito mais sobre o que as diferentes culturas queriam que as mulheres fossem", afirma. A exposição reúne ainda trabalhos como Jesus Aparece a Maria Madalena, de Lavinia Fontana (1581), uma das primeiras ilustrações da santa por uma artista mulher; Marta Repreende sua Vaidosa Irmã Maria Madalena, de Simon Vouet (1621), que retrata uma cena inventada, ausente da Bíblia; e Madalena Penitente, de Guido Cagnacci (1626-27), em que a santa segura uma caveira, lembrete de que a vida é breve.

Segundo Jolley, não existe nas escrituras nenhuma menção direta de qual foi a transgressão da "mulher pecadora" não identificada, embora muitos tenham presumido que fosse de natureza sexual. "É muito comum ouvir sua descrição como sendo uma profissional do sexo, principalmente em textos mais antigos, mas não temos nenhuma base real para esta definição nos documentos bíblicos", destaca. A curadora acrescenta que, para os artistas, Madalena representava uma oportunidade de ousar em relação a uma imagem sagrada, já que podiam ilustrá-la como atraente ou levemente sexualizada, o que não era possível com outros santos. A exposição também inclui obras como Madalena Penitente em Meditação, de Georges de La Tour (1635-40), A Dor de Madalena sobre o Corpo de Cristo, de Arnold Böcklin (1867), e Cristo e a Pecadora, de Max Beckmann (1917).

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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