Shein chega à Bolsa sem brilho e expõe desgaste de modelo de negócios do fast-fashion
Shein estreia na Bolsa com queda de até 10% e avaliação encolhe para um quarto do pico
A Shein abriu o capital nesta terça-feira em Hong Kong com um desempenho modesto, bem diferente do entusiasmo que cercava a varejista no auge de sua popularidade. As ações chegaram a cair 10% antes de se recuperarem parcialmente e fecharem próximas ao preço da oferta. A empresa, que já foi avaliada em US$ 100 bilhões, agora vale cerca de um quarto desse montante, segundo informações do The New York Times.
A estreia ocorre após anos de tentativas frustradas de listagem em Nova York e Londres, barradas por preocupações de autoridades e ativistas com as condições de trabalho na cadeia produtiva. A queda na avaliação reflete dúvidas dos investidores sobre a sustentabilidade do negócio, especialmente após Estados Unidos e Europa eliminarem benefícios tarifários para produtos de baixo valor, essenciais ao modelo de preços reduzidos da companhia. Analistas ouvidos pelo jornal americano apontam que a empresa perdeu o apelo que teria em 2021, quando o mercado ainda se entusiasmava com grandes estreias do comércio eletrônico. Na oferta, investidores institucionais absorveram pouco mais de 20% das ações, bem abaixo dos cerca de 50% típicos em listagens de sucesso.
Outro desafio é reconquistar a Geração Z, que impulsionou o crescimento da marca durante a pandemia. Dados de consumo nos Estados Unidos indicam que a Shein segue perdendo participação de mercado, principalmente entre consumidores de 18 a 34 anos. Em maio de 2025, a empresa elevou preços no país para compensar custos maiores de importação. Na Europa, onde vigora uma taxa de 3 euros sobre encomendas importadas, a varejista também perde espaço, especialmente na França e na Espanha. No Reino Unido, o ritmo de ganho de participação desacelerou mesmo sem mudanças regulatórias relevantes.
Fundada em 2012, a Shein revolucionou o setor ao reduzir o ciclo de produção de meses para poucos dias, usando algoritmos para identificar tendências e testar a demanda com pequenos lotes. Por trás do crescimento, porém, há relatos de condições de trabalho intensas. Um levantamento da ONG China Labor Watch, compartilhado com o The New York Times, indica que funcionários de fornecedores chegaram a trabalhar mais de 20 dias seguidos sem folga, com pausas de apenas 10 minutos e remuneração entre US$ 850 e US$ 1.130 por mês, possível apenas com jornadas exaustivas. A empresa nega as alegações e diz que as descrições são incorretas. A Shein também enfrenta 58 processos nos Estados Unidos desde 2021 por supostas violações de propriedade intelectual, os quais a companhia afirma não comprovar a validade das acusações.
Para analistas, o caso da Shein se assemelha ao da Zoom, que disparou na pandemia e perdeu força depois. A narrativa de reinventar a moda para a era digital agora cede espaço ao boom da inteligência artificial, que atrai o interesse dos investidores para empresas chinesas do setor.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação