Shein foi a grande aposta do fast fashion. Agora, luta para escrever novo capítulo
A Shein, que já foi uma das empresas mais comentadas do varejo global, enfrenta agora o desafio de escrever um novo capítulo de sua história. A companhia, que conquistou a Geração Z com vestidos de US$ 10 e croppeds de US$ 5, transformando tendências em produtos em poucos dias, viu seu modelo de negócios ser abalado por mudanças regulatórias e pela queda nas vendas em seu principal mercado, os Estados Unidos.
Após anos de adiamentos, a empresa está perto de abrir seu capital na Bolsa de Hong Kong, mas por uma fração de seu valor de pico. Em 2022, a Shein foi avaliada em US$ 98,2 bilhões. A mudança de planos ocorre depois que Estados Unidos e Europa acabaram com isenções tarifárias para produtos importados de baixo custo, o que sustentava o modelo de negócios da varejista. No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida da empresa nos EUA caiu 14,3%, para US$ 2 bilhões. Na Europa, que responde por mais de um terço da receita, uma tarifa fixa de 3 euros sobre encomendas de comércio eletrônico foi anunciada no mês passado.
Para tentar convencer investidores, a Shein aposta em diversificar seus negócios. Produtos que não são roupas, como móveis, cosméticos e eletrônicos, já respondem por mais de um terço da receita. A empresa também oferece sua cadeia de suprimentos para outras marcas, mas o programa, lançado em 2023, atraiu apenas cerca de 20 marcas e gerou menos de 1% da receita líquida total em 2025. Analistas ouvidos pelo The New York Times mostram ceticismo quanto à capacidade da empresa de encontrar um novo motor de crescimento.
O cenário é agravado pela postura reservada da companhia. O fundador e CEO, Sky Xu Yangtian, é tão discreto que, até aparecer publicamente em fevereiro, a maioria das fotos que circulavam na internet e supostamente o mostravam era falsa. Na ocasião, Xu anunciou um investimento de cerca de US$ 1,4 bilhão para construir um centro de cadeia de suprimentos em Guangdong, na China, região que chamou de "raiz da Shein". A mudança para Hong Kong, após fracassadas tentativas de IPO em Nova York e Londres, também obrigou a empresa a reabraçar sua identidade chinesa, que antes tentava minimizar.
O primeiro capítulo da Shein foi extraordinário. Fundada em 2012, a empresa se tornou a maior varejista de moda online do mundo em 2022, lançando cerca de 4.700 novos modelos de roupas por dia, contra 20 mil por ano da Zara. No entanto, analistas apontam que a empresa teve dificuldades para reproduzir seu modelo de cadeia de suprimentos em outros países e enfrenta concorrência crescente. "Não está claro, além de moda realmente barata e ultrarrápida, o que eles serão capazes de gerar", disse Sucharita Kodali, especialista em comércio eletrônico da Forrester. "Não acho que tenhamos obtido essa resposta", afirmou Juozas Kaziukenas, analista independente, sobre o futuro da empresa.
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Por Redação