Tabu de 37 anos pode cair? Líder do 1º turno nunca perdeu eleição presidencial
Desde a redemocratização, nenhuma eleição presidencial brasileira teve uma virada entre o primeiro e o segundo turno. Sempre que a disputa precisou de uma rodada adicional, o candidato que terminou a primeira etapa na liderança acabou eleito. Das eleições presidenciais realizadas desde 1989, sete foram decididas no segundo turno e, em todas, segundo o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), o candidato mais votado na primeira rodada manteve a liderança.
Esse histórico pode ser colocado à prova em 2026. Com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) separados por poucos pontos nas pesquisas, Medeiros avalia que uma diferença pequena no primeiro turno aumentaria o peso de fatores como abstenção, votos brancos e nulos e capacidade de mobilização das campanhas. "Essa é a décima eleição geral do Brasil desde a redemocratização e promete ser uma das mais acirradas da história", afirmou ele no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
Nas disputas mais recentes, a vantagem do líder do primeiro turno diminuiu na etapa seguinte. Em 2014, Dilma Rousseff chegou ao segundo turno com 8 pontos de frente sobre Aécio Neves e acabou reeleita com margem de 3,3 pontos. Em 2022, Lula terminou o primeiro turno 5,2 pontos à frente de Jair Bolsonaro e venceu a segunda rodada por 1,8 ponto. Para Medeiros, uma distância inferior a cinco pontos entre Lula e Flávio neste ano colocaria o padrão histórico sob maior pressão. "Há uma chance hoje muito real de presenciarmos uma virada no segundo turno", disse. "Qualquer mudança na taxa de abstenção, do voto branco e nulo e da mobilização mesmo das bases eleitorais são fatores que podem influenciar a presença ou não do eleitor no segundo turno."
Os levantamentos divulgados nesta semana apontaram Lula numericamente à frente de Flávio, mas com diferenças pequenas. A Quaest divulgada na segunda-feira (21) mostrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio com 33%. Na AtlasIntel, divulgada na quarta-feira (23), o placar foi de 45% a 43%. Já a Real Time Big Data desta quinta-feira (24) apontou 41% para o presidente e 37% para o senador.
A composição das demais candidaturas também pode ganhar importância. Medeiros avalia que a proximidade da votação tende a estimular o voto útil e reduzir o espaço dos candidatos que aparecem atrás de Lula e Flávio. "A busca vai ser pelo voto útil, chamado voto estratégico, tanto da campanha de Lula quanto de Flávio, e tentar desidratar o máximo os candidatos do pelotão de trás", afirmou. Segundo o cientista político, o eleitor brasileiro resiste a manter o voto em uma candidatura percebida como pouco competitiva na reta final. Para João Paulo Machado, analista de política da XP, como as candidaturas alternativas estão concentradas no centro e na direita, seria difícil para Lula buscar votos adicionais em um eventual segundo turno.
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Por Redação