Tokenização avança nos bancos, mas só 8% estão prontos para 2026, diz IBM
A tokenização de ativos já faz parte do radar estratégico dos bancos brasileiros, mas a implementação prática ainda é tímida. Levantamento da IBM com executivos do setor mostra que 23% consideram a tecnologia central para seus planos de negócios, enquanto apenas 8% afirmam ter iniciativas prontas para lançamento em 2026. O estudo foi realizado pelo IBM Institute for Business Value em parceria com a Oxford Economics e ouviu 500 executivos de bancos e pagamentos em mais de 25 países, incluindo 26 brasileiros.
O principal obstáculo apontado no Brasil é a interoperabilidade, citada por 65% dos executivos locais, acima da média global de 59%. Segundo Rodrigo Benin, diretor executivo para a indústria financeira da IBM, o desafio envolve integrar sistemas bancários legados às redes blockchain, atender exigências de privacidade e sigilo bancário em iniciativas como o Drex e criar padrões universais de comunicação entre diferentes redes de tokenização. A IBM também destaca que 94% dos projetos de modernização de core banking ultrapassam os cronogramas previstos.
A pesquisa indica ainda que os brasileiros estão mais atentos às stablecoins do que a média global: 58% esperam adoção forte ou transformacional dessas moedas por grandes empresas até 2030, ante 42% no mundo. Benin avalia que o uso em comércio exterior e liquidações transfronteiriças pode tornar operações mais rápidas e baratas, mas alerta que parte dos recursos hoje depositados em bancos pode migrar para liquidações programáveis. Já o Drex é visto como acelerador do processo, com 38% dos executivos brasileiros acreditando que as moedas digitais de bancos centrais podem substituir arranjos tradicionais de cartões.
A inteligência artificial também aparece associada à tokenização: 58% dos executivos brasileiros veem impacto relevante da tecnologia na interoperabilidade entre plataformas de IA, e 46% esperam efeitos da IA agêntica sobre canais programáveis de liquidação. Entre as oportunidades, a custódia digital surge como principal aposta, com 61% dos executivos globais planejando investir nessa área. Benin afirma que a receita não desaparece, mas muda de lugar, e que instituições que liderarem a agenda podem criar novos modelos de negócio ligados à gestão de ativos digitais e à orquestração de redes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação