Vaticano impulsiona aliança global para criar inteligência artificial católica
Líderes religiosos, investidores e pesquisadores se reuniram na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, entre 5 e 6 de novembro de 2026, durante o Fórum Builders AI. O encontro teve como objetivo estabelecer uma comunidade interdisciplinar voltada ao desenvolvimento de ferramentas tecnológicas que respeitem a missão da Igreja e os ensinamentos da encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV.
O fórum busca criar uma rede de colaboração entre a Igreja e especialistas em tecnologia para garantir que a inteligência artificial seja usada de forma ética e responsável. O foco central é fomentar produtos que auxiliem na evangelização, na saúde e na educação, sempre alinhados aos valores católicos. Na abertura, o Cardeal Michael Czerny afirmou que a tecnologia não deve ser um processo isolado, mas uma forma comunitária de diálogo, e alertou que, embora todos sejam impactados pela IA, a escuta mútua entre os setores ainda é rara.
A segurança infantil foi tratada como prioridade absoluta, tema exemplificado pelo depoimento de Megan Garcia, que perdeu o filho após um apego emocional a um robô de conversação. Defendeu-se no evento que as empresas sejam responsabilizadas por danos causados a menores. Entre as medidas propostas estão a obrigatoriedade de testes de segurança realizados por órgãos independentes antes do lançamento de qualquer tecnologia e a garantia de que dados de crianças não sejam vendidos ou retidos, estabelecendo salvaguardas contra abusos no ambiente digital.
Na educação e na formação católica, a proposta é que a IA funcione como ferramenta de suporte que respeite a filosofia cristã, e não de forma autônoma. Bispos e educadores discutiram a importância de treinar modelos de linguagem próprios, como o Magisterium AI, que utiliza fontes confiáveis da Igreja em vez de dados genéricos da internet. Para os seminaristas, o foco é o discernimento: como os jovens já vivem imersos na tecnologia, a formação sacerdotal passou a incluí-la como ponto de partida para quem busca respostas sobre a fé.
A posição apresentada por líderes do setor e do Vaticano é de que a IA é apenas uma ferramenta e não substitui o relacionamento humano ou divino. Erich Kerekes, do aplicativo Hallow, enfatizou que a oração é um relacionamento pessoal com Deus, algo que a tecnologia não é capaz de replicar. Montse Alvarado reforçou que a mensagem cristã não é criada pela IA, mas apenas comunicada por meio dela. O desafio apontado aos construtores é criar sistemas que tornem os seres humanos melhores sem perder a essência da interdependência social.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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