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A criadora do Ozempic precisa de um novo capítulo. As pílulas podem ser a resposta

Por Redação
Atualizado em 02/09/2026 às 14:50 schedule 3 min de leitura visibility 13 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Novo comprimido para perda de peso marca tentativa da Novo Nordisk de reverter queda de 70% nas ações

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pelo Ozempic e pelo Wegovy, aposta no lançamento de uma versão em comprimido do seu medicamento para perda de peso como parte de uma estratégia para reverter a desconfiança do mercado. O produto, em uso por mais de 1,5 milhão de pessoas desde janeiro, principalmente nos Estados Unidos, é visto pela empresa como um avanço científico e um sucesso comercial. Apesar disso, os investidores seguem céticos: as ações acumulam queda de cerca de 70% em relação ao pico de meados de 2024, quando a companhia era a mais valiosa da Europa.

O principal motivo de preocupação é a expiração da patente americana da semaglutida, ingrediente ativo do Wegovy, no início da próxima década. Para o CEO Mike Doustdar, primeiro não dinamarquês a comandar a empresa, o mercado estaria superestimando a rivalidade com a americana Eli Lilly e ignorando a variedade de medicamentos disponíveis ou em desenvolvimento. “Temos mais ativos do que as pessoas reconhecem”, afirmou, em entrevista ao The New York Times. “Em um mundo em que mais pessoas precisam de tratamento, isso não é um jogo de soma zero.”

Doustdar assumiu o cargo em agosto de 2025, após um período conturbado que incluiu a saída do CEO anterior, a renúncia do presidente do conselho e de conselheiros independentes, além da acumulação de funções na presidência da fundação acionista. Entre as primeiras medidas, a empresa demitiu cerca de 9 mil funcionários, na maior reestruturação corporativa da história da Dinamarca. A companhia também enfrenta a concorrência das farmácias de manipulação, que oferecem versões mais baratas dos tratamentos, e uma sequência de notícias negativas, como alertas sobre lucros e resultados decepcionantes em estudos clínicos.

Parte da nova estratégia é discursiva. Doustdar passou a se referir a “clientes” em vez de apenas “pacientes”, defendendo que a empresa deve disponibilizar os medicamentos para qualquer pessoa que precise, sem julgamentos sobre os motivos do uso. A companhia também reposiciona o Rybelsus, aprovado em 2019 para diabetes tipo 2, como “a pílula do Ozempic”, e adotou uma postura jurídica mais agressiva, com ações contra mais de 150 companhias e um processo contra a Eli Lilly por suposta publicidade enganosa.

Paralelamente, a Novo Nordisk reforça seu perfil americano: mais da metade das receitas já vem dos Estados Unidos, onde emprega cerca de 10 mil pessoas e toca uma expansão de US$ 4 bilhões na Carolina do Norte. Enquanto o quadro de funcionários na Dinamarca caiu 13% no último ano, o americano cresceu na mesma proporção. A dúvida que permanece é se essas mudanças serão suficientes para convencer Wall Street. “É mais provável encontrar uma Nokia do que uma Microsoft”, resumiu Randall Peterson, professor da London Business School, sobre a dificuldade de reverter períodos difíceis no setor.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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