Álbum de Adriana Calcanhotto com Arnaldo Antunes, 'Vice-versa' não faz jus aos dois finos estilistas da canção
O álbum conjunto de Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes, “Vice-versa”, foi lançado sem aviso prévio ao meio-dia desta terça-feira, 22 de setembro, pela Universal Music. O disco reúne onze faixas, das quais dez são parcerias inéditas dos dois compositores. A exceção é a gravação de “Sorriso livro”, música de Carlinhos Brown, Denny e Edmundo Carôso lançada há 20 anos pela Timbalada no álbum “Alegria original”.
Segundo a crítica, a safra autoral do álbum fica aquém da trajetória dos artistas, parceiros há 20 anos — desde “Para lá”, lançada por Arnaldo em “Qualquer” (2006) — e que já fizeram show juntos em 2024. O repertório não reedita a verve de Calcanhotto como letrista nem a engenhosidade do jogo de palavras recorrente no cancioneiro de Arnaldo, e falta uma grande canção entre as dez parcerias, ainda que a balada “Por ti, por mim, por nós” chegue perto.
O disco foi produzido por Pupillo, mixado por Guigo Berger e masterizado por Fili Filizzola, com participação de músicos como Pedro Sá (guitarra), Vitor Araújo (piano, Rhodes e sintetizador) e Lucas Martins (baixo). A percussão sobressai em faixas como o samba de abertura “Também capaz” e “As bancas de jornais”, cuja letra tem mais o DNA poético de Arnaldo. “Se for para ser agora” e o samba-rock “Contemplando a folia” têm Pupillo na coautoria e aproximam Calcanhotto do universo tribalista, assim como “Na minha carne viva”, parceria também de Marisa Monte.
O álbum transita entre samba, balada e rock. “Você não vai me achar” flerta com o indie-rock, enquanto “Não me dão” é descrita como rock mediano, e “Agora juntos” — única faixa não entoada em uníssono, com os artistas se alternando no canto — evolui para um samba lento. No arremate, “Não me deu” traz vocal feminino de aura sacra e canto falado ao estilo de Arnaldo.
O lançamento coincide com o anúncio de uma turnê conjunta dos artistas, programada para março e abril de 2027 em seis capitais brasileiras. A crítica conclui que os dois são artistas tão grandes que o ouvinte se frustra ao buscar, e quase sempre não encontrar, a amplitude poética e musical de suas obras ao longo de “Vice-versa”.
Esta matéria foi publicada primeiro em Cultura · G1 Pop & Arte e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação