Arábia Saudita amplia receita do petróleo e pode ser a única “vencedora” da guerra
A Arábia Saudita pode ser a única beneficiada econômica da guerra com o Irã, segundo análise do pesquisador sênior Robin Brooks, da Brookings Institution. Apesar de o conflito ter derrubado o PIB saudita, atingido a infraestrutura petrolífera do reino e fechado o Estreito de Ormuz, o país está em posição de gerar mais receita com petróleo agora do que antes do início do conflito, em fevereiro.
O motivo é o salto nos preços, que compensou com folga a queda no volume exportado. Segundo os cálculos de Brooks, a Arábia Saudita exportava cerca de 7 milhões de barris por dia antes da guerra, caiu para menos de 4 milhões em março e abril e chegou a 5,5 milhões neste mês. No mesmo período, os contratos futuros do petróleo Brent dispararam cerca de 75% no ano e são negociados em torno de US$ 107 por barril. Com isso, a receita anualizada das exportações sauditas alcança agora US$ 210 bilhões, ante cerca de US$ 150 bilhões antes da guerra — ganho extraordinário equivalente a mais de 6% do PIB do país.
“O Reino da Arábia Saudita talvez seja o único vencedor desta guerra”, escreveu o pesquisador. A recuperação das rotas de exportação reforça esse quadro. A proteção militar dos Estados Unidos a navios petroleiros ajudou a restaurar boa parte dos embarques pelo Estreito de Ormuz, permitindo que o país voltasse a priorizar o Golfo Pérsico depois que ataques ao oleoduto Leste-Oeste interromperam as exportações pelo Mar Vermelho. A Bloomberg informou nesta segunda-feira que a Arábia Saudita retomou os fluxos pelo oleoduto, com cerca de 3,5 milhões de barris por dia — ainda abaixo da capacidade total de 7 milhões, mas em recuperação poucas semanas após milícias apoiadas pelo Irã no Iraque danificarem a infraestrutura.
Para a consultoria TankerTrackers, qualquer exportação pelo Mar Vermelho neste momento é “apenas a cereja do bolo de um petróleo a US$ 100 por barril”. A consultoria avalia que representantes iranianos no Iêmen e no Iraque acabaram favorecendo Riad ao forçá-lo a exportar pela costa leste, onde os EUA já ampliavam a proteção a comboios.
Ainda assim, o setor petrolífero saudita segue vulnerável a novos ataques do Irã ou de seus aliados, e os houthis consolidaram o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb, gargalo importante para o transporte no Mar Vermelho. As negociações por cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã seguem sem avanço significativo, e parte de Wall Street acredita que o conflito pode se estender até 2027. O bloqueio naval americano sufoca a economia iraniana e impede a exportação do petróleo do país. Segundo Brooks, quando a guerra terminar, um Irã fortemente enfraquecido deverá depender de ajuda externa por anos para reconstruir sua economia, enquanto a Arábia Saudita se prepara para voltar a exportar tanto pelo terminal de Yanbu quanto por seus portos no Golfo Pérsico.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentarSobre o autor
Por Redação