'Balansamba' de Roberto Menescal resiste bem na pista com os seis DJs que atuam no EP 'Pure bossa remixes'
Lançado em edição da Universal Music, o EP “Pure bossa remixes” reúne cinco músicas da parceria de Roberto Menescal com o letrista Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994) distribuídas em seis faixas, remixadas por Diogo Strausz, DJ Marlboro, DJ Spinna, Gui Boratto, Nicola Conte e Tata Ogan. O disco coroa um ano produtivo do artista carioca, iniciado em janeiro com o álbum “Bossa sempre nova” (2026), no qual Luísa Sonza canta standards da bossa nova sob produção musical orquestrada por Menescal com Toquinho.
São cinco composições em seis faixas porque “Você” (1964) abre o EP no remix de Gui Boratto, com timbragem evocativa dos anos 1980 na gravação que tem a voz da cantora Mariana de Moraes, e reaparece no encerramento na versão do DJ Marlboro, nome incontornável da história do funk carioca que irrompeu com força a partir de 1989. Nenhum dos dois remixes de “Você” se impõe como inovação ao longo dos 21 minutos e meio do EP, até porque enquadrar temas de bossa nova em moldura eletrônica é tendência antiga, iniciada nos anos 1990 — década que viu surgir o trio BossaCucaNova e na qual Bebel Gilberto ganhou visibilidade planetária com “Tanto tempo” (2000).
Feita a ressalva, o balansamba de Menescal resiste bem na pista. A própria “Balansamba” (1963) é remexida por Diogo Strausz a partir da gravação original produzida por Aloysio de Oliveira (1914 – 1995) para o álbum “A bossa nova de Roberto Menescal e seu conjunto” (1963), título referencial de sua discografia. Outros dois remixes sobressaem no EP idealizado e produzido por Patty Ascher com Béco Dranoff: o DJ italiano Nicola Conte enfatiza o elo nem sempre aparente da bossa nova com a África no Afro bossa rework de “A morte de um Deus de sal” (1963), enquanto “Nós e o mar” (1962) navega em ondas exuberantes no remix da DJ Tata Ogan, percussionista que conecta tambores a sintetizadores ao longo de quatro minutos e 41 segundos.
Já o remix de “Rio” pelo DJ Spinna, produtor norte-americano identificado por mixar ritmos negros dos Estados Unidos — funk, soul e rap — com o universo eletrônico, mostra que o barquinho de Menescal cruza outros mares musicais sem perder o balanço da bossa. Aos 89 anos, completados em 25 de outubro, dois dias depois do lançamento do EP, o compositor, violonista, guitarrista e produtor musical ruma para os 90 anos como lenda viva da bossa nova — comemorados em 25 de outubro de 2027, para quando “Pure bossa remixes” serve de aperitivo.
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