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Bancos reduzem exposição ao Brasil após eleição e buscam proteções na Bolsa

Por Redação
Atualizado em 28/10/2026 às 08:20 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma revisão rápida das estratégias de investimento para o mercado brasileiro. Nas últimas sessões, instituições como Citi, BCA Research, Bradesco BBI e Morgan Stanley reduziram suas recomendações para ativos do país, citando o aumento das incertezas fiscais, a perspectiva de juros elevados por mais tempo e a deterioração da relação risco-retorno.

A mudança de postura ocorre após uma forte correção dos ativos domésticos. O Ibovespa registrou sua maior queda diária desde a pandemia, de 13,88%, e o real sofreu desvalorização acentuada, com o dólar subindo 8,2%. Para os estrategistas, o resultado eleitoral reduz as expectativas de uma agenda mais ortodoxa para a política econômica e aumenta as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas nos próximos anos.

O Citi encerrou sua recomendação overweight para o Brasil, equivalente à compra, e retirou sua posição comprada no real. A BCA Research rebaixou as ações brasileiras de neutras para underweight, equivalente à venda, e adotou movimento semelhante em títulos públicos locais e crédito soberano, argumentando que o país pode enfrentar crescimento mais fraco, pressões inflacionárias e deterioração da dinâmica da dívida pública. O Morgan Stanley reduziu a recomendação para ações brasileiras de overweight para equal-weight, a neutra, em sua carteira latino-americana, embora tenha evitado uma recomendação underweight para o país, já que o peso das exportadoras e dos grandes bancos tende a limitar uma piora mais acentuada dos lucros corporativos. O Bradesco BBI cortou sua exposição ao Brasil para neutra após considerar que boa parte da reprecificação positiva dos ativos já havia ocorrido antes da eleição.

Apesar da revisão negativa, os estrategistas não abandonaram o mercado brasileiro e passaram a buscar proteção em empresas menos dependentes da economia doméstica. O Morgan Stanley elevou posições em Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3) e JBS (JBSS32), além de recolocar Suzano (SUZB3) na carteira modelo, companhias que tendem a ser beneficiadas por um real mais depreciado e por motores de crescimento ligados ao ciclo global de commodities. O Bradesco BBI retirou nomes que haviam se beneficiado da expectativa de queda dos juros, como Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras (PETR4), B3 (B3SA3), Equatorial (EQTL3), Cogna (COGN3), Cyrela (CYRE3) e EcoRodovias (ECOR3), e incluiu Sabesp (SBSP3), JBS (JBSS3), WEG (WEGE3), Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3), BB Seguridade (BBSE3) e Cury (CURY3).

Os relatórios demonstram cautela com empresas ligadas ao mercado de capitais, crédito e consumo, segmentos que costumam sofrer em ambientes de juros elevados e menor crescimento. O Morgan Stanley reduziu posições em B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11), XP, Nubank (ROXO34), Mercado Livre (MELI34) e Sabesp (SBSP3). O Bradesco BBI projeta desaceleração do PIB brasileiro para 2027, aumento do desemprego e menor crescimento do crédito. Nenhuma das instituições defende uma saída completa dos ativos brasileiros: a avaliação é de que o mercado passa a exigir maior seletividade, favorecendo exportadoras, geradoras de caixa e empresas com receitas mais previsíveis. Uma eventual melhora da percepção fiscal, uma correção mais profunda dos preços ou um ciclo mais intenso de queda de juros poderiam levar a uma reavaliação positiva do mercado.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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