Beth Carvalho tem joias menos óbvias da discografia expostas por Enzo Belmonte no álbum 'Obrigado, Madrinha!'
O cantor e compositor carioca Enzo Belmonte lança na sexta-feira, 6 de novembro, o álbum audiovisual “Obrigado, Madrinha! – Um tributo a Beth Carvalho”. O projeto registra ao vivo o show que Belmonte apresentou em 12 de maio no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, e chega ainda no ano em que Beth Carvalho (1946 – 2019) completaria 80 anos, celebrados em 5 de maio.
Nascido e criado no Morro do Pinto, na Zona Portuária do Rio, e egresso da escola mirim Mangueira do Amanhã, Belmonte se autodeclara o último afilhado artístico de Beth. A declaração é confirmada pelo jornalista e roteirista Leonardo Bruno, que em 20 de abril de 2019 visitou a cantora no hospital onde ela morreria dez dias depois e ouviu dela que, sim, considerava Enzo o último afilhado da linhagem de sambistas avalizados pela “madrinha do samba”.
Ao longo das dez faixas, o álbum encadeia 16 sambas que ganharam a voz de Beth e uma música em homenagem à cantora, “Uma rainha no céu”, composta por André da Mata no dia da morte da artista. O repertório não evita os sucessos, mas se destaca por pérolas menos óbvias. Entre elas está “O daqui, o dali e o de lá”, parceria de Bira da Vila e Serginho Meriti que nem fez parte da discografia oficial de Beth: foi gravada por ela no álbum “O canto da Baixada”, de 2010, seis anos depois de o samba ter sido lançado pelo grupo Toque de Prima no álbum “Daqui, dali, de lá” (2004). Serginho Meriti se junta a Enzo na regravação.
Outra joia do repertório é “Meu sangue é Brasil”, parceria de Almir Guineto (1946 – 2017) — que também teria feito 80 anos em 2026 — com Luverci Ernesto (1941 – 2007), gravada por Beth no álbum “Pagode de mesa ao vivo” (1999). Da mesma dupla de compositores, Enzo recupera “Tem nada não”, samba de 1979 que traz ainda a assinatura de Jorge Aragão, e “É, pois é”, de 1981, também composto por Luís Carlos.
O show tem direção e roteiro do próprio Enzo Belmonte com Renata Machado, arranjos de Luizinho Croset, que assina a direção musical, e participações de Dayse do Banjo, Lu Carvalho, Serginho Meriti e da Velha Guarda Musical da Mangueira, além de ritmistas da Mangueira do Amanhã. Aos 24 anos e com oito de carreira fonográfica iniciada com um EP editado em 2018, Belmonte firma no tributo o vínculo com a cantora que revelou nomes como Zeca Pagodinho, em álbum de 1983.
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