Binance sofre ataque hacker de US$ 6,3 bilhões: por que Coreia do Norte pode estar por trás do possível maior roubo da história das criptomoedas
A Binance informou nesta sexta-feira (30/10) que começou a recuperar os ativos afetados pelo ataque hacker que atingiu US$ 6,3 bilhões (R$ 33 bilhões) em criptomoedas — o que especialistas apontam como o maior roubo do tipo na história. Em publicação no X, a corretora disse estar trabalhando com autoridades e parceiros para "rastrear, congelar e recuperar fundos adicionais" e reiterou o compromisso de cobrir as perdas com recursos próprios.
Segundo a empresa, já foram reservados mais de US$ 6,3 bilhões para cobrir o incidente. Desse total, US$ 5 bilhões "já estão alocados nos mesmos ativos (tokens) que foram afetados", e a companhia afirma estar concluindo a aquisição do valor restante por diferentes canais — etapa que, segundo ela, "pode levar mais tempo". Os valores não incluem os ativos congelados, que seguem em processos de recuperação e verificação. Os saques foram temporariamente suspensos, e a Binance afirmou trabalhar para normalizá-los em 45 horas.
O co-CEO da Binance, Richard Teng, declarou que a investigação preliminar indica que o ataque começou com o laptop comprometido de um engenheiro, o que deu ao invasor acesso a um ambiente de serviço de onde partiu transações de saque não autorizadas. "Para que fique claro: o hacker não se limitou a usar as permissões de um único engenheiro, e não se tratou de uma ação simples de 'um clique'", afirmou. Segundo ele, a apuração não atribuiu responsabilidade a nenhum indivíduo e, até o momento, não há evidência de vazamento da chave privada da carteira.
Duas empresas de análise atribuíram o incidente a um grupo de hackers da Coreia do Norte chamado TraderTraitor. A Check Point, que também identifica o grupo como Lazarus Group, afirmou que as perdas estimadas tornam o caso o "maior roubo de criptomoedas da história". A TRM Labs apontou semelhanças com ataques anteriores ligados ao país, e a Chainalysis disse ter "alto nível de confiança" na ligação com o grupo norte-coreano. Agências de segurança ocidentais já afirmaram que fundos roubados são usados para financiar programas de armas nucleares e mísseis da Coreia do Norte; o regime nega envolvimento em ataques cibernéticos.
O ataque supera o recorde anterior de US$ 1,5 bilhão à corretora Bybit em 2025. A Tether e a Circle informaram ter congelado cerca de US$ 2,4 bilhões em ativos em resposta ao episódio, e a World Liberty Financial afirmou ter atuado com parceiros para congelar fundos roubados. A Coinbase disse não ter sido afetada e monitorar a situação, enquanto a Binance.US, plataforma voltada a residentes americanos, também negou impacto. Após os alertas, o Bitcoin caiu mais de 4%, e outras criptomoedas importantes, como Ethereum e Solana, também recuaram com força.
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