Bradesco tem nova alta seguida no lucro e ações sobem, mas inadimplência preocupa
O Bradesco encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de cerca de 15% na comparação anual e resultado praticamente em linha com as expectativas do mercado. Foi o décimo primeiro trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente, ainda que no menor ritmo da sequência, com avanço de 0,8% sobre o trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio (ROE) ficou em 15,6%, ou 16,1% desconsiderando o aumento de capital de R$ 10 bilhões realizado no período. O banco manteve o guidance para 2026.
Apesar do número robusto, analistas apontam que a composição do resultado foi menos favorável do que aparenta, marcada pela deterioração da qualidade da carteira de crédito, compressão dos spreads e enfraquecimento do braço de seguros. As ações chegaram a cair mais de 2% nesta sexta-feira (23), mas fecharam com leves ganhos: 0,84% (R$ 18,05) para BBDC3 e 0,74% (R$ 20,37) para BBDC4, acompanhando a alta do mercado na reta final do pregão.
Inadimplência no centro das atenções
O principal ponto de preocupação foi a evolução da inadimplência. O índice de empréstimos com atraso superior a 90 dias subiu para 4,6%, avanço de 30 pontos-base frente ao segundo trimestre. A deterioração foi mais evidente nos segmentos de pequenas e médias empresas e de pessoas físicas, enquanto o índice de cobertura caiu para 143%, ante 152% três meses antes. Segundo a XP, a piora foi impulsionada principalmente por linhas de crédito para pequenas empresas garantidas pelo governo e por operações rurais, levando as provisões a crescerem mais rápido que a margem financeira. A margem financeira ajustada ao risco recuou de 4,5% para 4,2%.
O JPMorgan chamou atenção para a elevação da inadimplência inicial e para a redução da cobertura, embora tenha destacado que parte da piora em pequenas empresas está associada a operações com garantia pública, que podem gerar recuperações futuras. O Goldman Sachs ressaltou que a formação de novos créditos problemáticos continuou superando o ritmo de constituição de provisões. O Itaú BBA viu resultado em linha, mas com “composição negativa” que deve pressionar as estimativas para 2027, e manteve recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 22 para o fim de 2027. A XP classificou o trimestre como misto e manteve recomendação neutra.
Custos e seguros
O controle de despesas seguiu como destaque positivo: as despesas operacionais vieram abaixo das projeções e o índice de eficiência gerencial caiu para 45,4%, um dos melhores níveis dos últimos anos. Já a divisão de seguros, tradicional fonte de rentabilidade, frustrou: as receitas recuaram cerca de 9% em relação ao trimestre anterior, pressionadas por menores resultados financeiros e maior sinistralidade, especialmente nos ramos de saúde e vida. Para o Morgan Stanley, a disciplina com despesas impediu um resultado mais fraco. JPMorgan e Morgan Stanley mantêm visão construtiva para 2027, apostando em juros menores e melhora gradual da inadimplência, enquanto a Genial alerta que a queda da cobertura reduz a folga para absorver novos choques.
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