Brasil pode ser próximo em 'onda MAGA' e última chance de Lula 'gigante da esquerda': como a imprensa internacional vê a eleição
A eleição presidencial brasileira, disputada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ganhou destaque neste domingo (25/10) nos principais jornais do mundo. As análises estrangeiras tratam o pleito como um ponto de inflexão para a política latino-americana e para o equilíbrio de forças entre esquerda e direita na região.
O Washington Post afirma que o Brasil pode ser "o próximo em uma mudança regional rumo a uma política ao estilo MAGA", em referência ao slogan do presidente americano Donald Trump. Sob o título "A onda MAGA na América Latina está ampliando o alcance político e militar de Trump", o jornal aponta que, "eleição após eleição, políticos de esquerda têm sofrido derrotas por toda a região", abrindo caminho para governantes de inclinação direitista que ostentam proximidade com a Casa Branca. Segundo o texto, "o próximo país com potencial de virar MAGA é o Brasil".
O Wall Street Journal descreve Lula como "um gigante da esquerda na América Latina" que luta por uma última chance no poder. O jornal avalia que é pouco provável que eleitores troquem de candidato entre o primeiro e o segundo turno e que o decisivo para as duas campanhas foi mobilizar os cerca de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas na primeira rodada. Conforme a publicação, Lula ficou atrás de Bolsonaro por apenas 2,2 milhões de votos no primeiro turno — diferença que pode ser revertida caso conquiste parte dos ausentes. O texto lembra ainda que, desde o retorno do Brasil à democracia, sete das nove eleições presidenciais exigiram segundo turno e, em todas, venceu o candidato que havia saído na frente na primeira rodada.
O New York Times dedica reportagem a "o outro Bolsonaro que pode se tornar o próximo presidente do Brasil". Para o jornal, uma vitória de Flávio representaria "a maior conquista, até o momento, de um movimento de direita em ascensão que avança pela América Latina", levando ao poder, na maior nação da região, um aliado entusiasmado de Washington e deixando o México como o único grande país ainda sob comando da esquerda. A reportagem cita o alinhamento do senador com Trump no uso de força letal contra grupos criminosos e a oferta de "vastos recursos minerais críticos" como forma de os EUA reduzirem a dependência da China. O jornal menciona também que uma vitória da direita marcaria o retorno da família Bolsonaro ao poder menos de quatro anos depois que o ex-presidente Jair Bolsonaro tentou promover um golpe.
O Financial Times destaca que o Brasil "emergiu como um campo de batalha crucial para as ambições de Washington na América Latina". O jornal britânico contrapõe a aproximação de Lula com potências médias e com o Brics à promessa de Flávio Bolsonaro de cortar gastos para reduzir juros e adotar postura mais rígida contra facções criminosas. Em reportagem sobre o avanço conservador, intitulada "Música sertaneja e chapéus de caubói: a guinada do Brasil à direita", o FT relaciona a ascensão do sertanejo à força econômica do agronegócio e à influência americana sobre o movimento. Já o espanhol El País resumiu a disputa: "Brasil decide entre entregar todo o poder a Bolsonaro ou dar uma última oportunidade a Lula".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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