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Casas Bahia: os sinais vermelhos que o mercado já identificava antes do pedido de RJ

Por Redação
Atualizado em 25/08/2026 às 07:35 schedule 4 min de leitura visibility 12 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Casas Bahia: os sinais vermelhos que o mercado já identificava antes do pedido de RJ

O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia pode ter pego alguns investidores de surpresa, mas quem acompanhava de perto o mercado de crédito já via sinais de estresse na varejista. Uma análise detalhada do comportamento das debêntures da companhia e dos seus indicadores de caixa mostra que a deterioração financeira foi diagnosticada e precificada muito antes do pedido de RJ.

Entre o terceiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026, os releases de resultados da Casas Bahia contaram uma história de desalavancagem, chegando a citar alavancagem de 0,5 vez o Ebitda ajustado e caixa livre recorde. No entanto, segundo levantamento da plataforma Credit Guide, os dados contábeis enviados à CVM apontavam patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões em 30 de junho, dívida líquida sem ajuste de R$ 5,74 bilhões e prejuízo líquido de R$ 13,2 bilhões em 12 meses. Nas contas gerenciais da companhia, esse mesmo prejuízo aparecia como R$ 2,65 bilhões.

O ponto central da divergência estava na forma como o fluxo de caixa era reportado. O caixa operacional parecia robusto, em R$ 16,7 bilhões, porque a Demonstração de Fluxo de Caixa oficial registra o aumento do saldo a pagar com fornecedores como entrada na operação, enquanto a quitação junto ao banco sai na linha de financiamento. Ao devolver essa saída à operação, o Credit Guide revelou que a operação da Casas Bahia não gerou dinheiro: ela consumiu R$ 425 milhões em 12 meses, antes mesmo de capex e de qualquer juro da dívida. Na mesma metodologia, o caixa livre de R$ 3,95 bilhões apresentado nos releases vira um consumo de R$ 622 milhões.

Essa matemática evidenciou que a empresa dependia quase que exclusivamente de rolagem de dívida para sobreviver. A DFC mostra que a companhia precisou captar R$ 13,9 bilhões em um ano para conseguir amortizar R$ 12,5 bilhões, diante de um custo médio da dívida superior a 60%, indicador que inclui, além dos juros, os custos de CDCI, desconto de recebíveis, FIDCs e fornecedor convênio.

Se os releases podem carregar narrativas otimistas, o mercado secundário de crédito costuma ser implacável. Dados levantados pela Idex Analytics a pedido do InfoMoney revelam como a percepção de risco tomou conta das debêntures da companhia. O histórico de negociação da debênture BHIAB1, com vencimento para 2028, mostra um crédito a caminho da reestruturação: até maio deste ano, o papel já vinha sendo negociado com desconto expressivo em relação ao seu valor ao par. Naquela época, o preço que os vendedores pediam para se desfazer do título ficava entre 35% e 50% do valor de face, enquanto o preço que os compradores aceitavam pagar variava entre 22% e 35%.

O maior sinal de perigo veio a seguir. A partir de 20 de maio, a debênture BHIAB1 sofreu um apagão: o papel ficou sem preço por quase três meses, segundo a IDEX Analytics. Quando as cotações voltaram a aparecer nas telas, nos dias 17 e 18 de agosto, primeiros pregões após o pedido de RJ, o Ask caiu para 30% do valor ao par, e o lado comprador desapareceu. No dia 19 de agosto, o Ask despencou para 20%, e surgiu um Bid residual de meros 3% do valor ao par. A única transação registrada no mercado secundário para essa debênture aconteceu justamente no dia 19: um volume de R$ 1,3 milhão negociado a apenas 11,86% do valor ao par. Na prática, o investidor que vendeu aceitou receber menos de 12 centavos para cada 1 real de dívida original.

A queda de preço não foi um evento isolado. Os preços indicativos divulgados pela Anbima para outras duas séries da companhia, BHIAA0 e BHIAC0, seguiram o mesmo roteiro. Esses papéis mantiveram preços estáveis, precificados em 30,83% do valor ao par, até o dia 14 de agosto, último pregão antes do pedido. Em dois pregões, caíram cerca de 4 pontos percentuais, fechando a 26,8% (BHIAA0) e 26,4% (BHIAC0) no dia 18, patamar mantido no dia 19. A exposição ao papel estava espalhada pela indústria: pelas carteiras abertas na CVM com referência de abril de 2026, 21 gestoras tinham posição em ativos do grupo, com concentração em quatro grandes casas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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