Pop? Rock? Sertanejo? O que ouvir durante a atividade física e como a música interfere na performance?
A música ouvida durante o treino pode tornar a atividade mais agradável, ajudar a manter o ritmo e melhorar o humor, mas não elimina a fadiga nem altera a intensidade real do esforço. A avaliação é de especialistas ouvidos sobre a relação entre som e desempenho físico, tema de estudo do pesquisador Costas I. Karageorghis desde 2009.
Para o professor Sérgio Gregorio da Silva, diretor do Centro de Educação Física e Desportos da UFPR, a música dá ânimo e auxilia na cadência dos movimentos. "Nos nossos estudos, vimos que a música pode modificar tanto a maneira como a pessoa se sente quanto o ritmo que ela escolhe para se exercitar", afirma. Ele ressalta, porém, que esquecer o fone não significa perder o treino.
A musicoterapeuta Cléo Monteiro França Correia, colaboradora do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, explica que a resposta está no cérebro: as batidas ativam redes sensoriomotoras e desviam a atenção do esforço. "Os sinais de fadiga não são eliminados, mas a música promove uma sensação de bem-estar", diz. Os dois especialistas concordam que a percepção de esforço diminui, sem mudança efetiva no resultado do exercício.
O BPM (batidas por minuto) é um dos critérios apontados por Karageorghis, já que cada zona cardíaca de esforço teria uma cadência ideal. Sérgio cita referências usadas em atividades: caminhada entre 100 e 130 BPM; corrida a 160–180 BPM ou 80–90 BPM para cadência de 160 a 180 passos por minuto; e ciclismo a 70–90 BPM ou 140–180 BPM para 70 a 90 rotações por minuto. Para HIIT e yoga, não há faixa comprovada — no primeiro caso, prioriza-se música motivadora; no segundo, faixas tranquilas ou silêncio.
Os profissionais ponderam que preferência pessoal e fator emocional são soberanos. Pesquisa da Maximum Boxing aponta o pop como estilo favorito dos brasileiros no treino (56,2%), seguido de eletrônica (42%), rock/metal (35%) e sertanejo (31,2%), com Alok, Anitta e Henrique e Juliano entre os artistas mais citados. O produtor Hitmaker defende que a energia da faixa importa mais que a matemática do BPM e sugere começar com músicas calmas no aquecimento, acelerar no meio e terminar em alta. "O principal é você conseguir se sintonizar com você mesmo", resume.
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