'Cavalo selvagem nove': John Malkovich e Sam Rockwell elevam fórmula melancólica; g1 já viu
O cineasta irlandês Martin McDonagh repete em "Cavalo selvagem nove" a fórmula de dois personagens caminhando e conversando sobre vida e morte que já havia usado em "Na mira do chefe" (2008) e "Os banshees de Inisherin" (2022). O recurso poderia soar cansativo, mas o filme, que estreia nesta quinta-feira (5) nos cinemas brasileiros, se sustenta no roteiro afiado e em duas das melhores atuações do ano, segundo a crítica do g1.
Na trama, dois espiões da CIA cumprem uma última missão na Ilha de Páscoa, território das famosas estátuas de cabeças gigantes, pouco antes do golpe militar financiado pelos Estados Unidos no Chile, em 1973. O mais velho deles, vivido por John Malkovich, está doente e é forçado a encarar seu legado. Ele irrita a chefia ao falar demais em público e ao gravar suas memórias para a publicação de uma autobiografia — desejo condenável na indústria da intriga internacional.
Aos 72 anos, Malkovich equilibra carisma e repulsa ao transformar o espião viciado e politicamente incorreto, participante de inúmeros golpes contra democracias pelo mundo, em um senhorzinho incorrigível e simpático. Ao seu lado, Sam Rockwell — vencedor do Oscar de ator coadjuvante por "Três anúncios para um crime", uma das exceções ao formato na carreira de McDonagh — compõe com ele um "casal improvável" à altura de Colin Farrell e Brendan Gleeson, dupla favorita do diretor.
Com ternura sincera e menos aspereza do que as farpas trocadas pelos antecessores irlandeses, os americanos combinam com o contraste entre a contemplação típica da obra de McDonagh e a energia ensolarada da ilha. A fotografia iluminada de Ben Davis e a montagem ágil de Mikkel E. G. Nielsen, ambos de "Banshees", ajudam o longa a se elevar, ainda que de leve, sobre o antecessor. Steve Buscemi também aparece no elenco e, na avaliação da crítica, merecia indicação como coadjuvante.
Para o g1, o filme já é um dos favoritos ao Oscar 2027 e tem tudo para dar a Malkovich a primeira estatueta de sua carreira. A obra pode não ser tão profunda ou transgressora quanto a anterior, mas ganha urgência maior graças aos diálogos afiados nas bocas de atores desse calibre. Em 2026, segundo a crítica, é praticamente impossível não sentir os reflexos da intervenção ianque, governamental ou corporativa, em eventos recentes.
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