Ciência ainda não foi lembrada na campanha eleitoral, diz SBPC
A ciência ainda não entrou no debate da campanha eleitoral deste ano. A avaliação é da presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, que vê uma lacuna nos temas discutidos por candidatos e eleitores. Segundo ela, a crise política e as denúncias envolvendo o caso Master têm monopolizado as atenções e empurrado para segundo plano questões estratégicas para o país.
Em entrevista à Agência Brasil, Francilene afirmou que o cenário atual obriga o país a uma falsa escolha. "O país acaba sendo obrigado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou o projeto de desenvolvimento, quando as duas coisas fazem parte de uma mesma agenda", defendeu. Para a presidenta da SBPC, a ciência depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção, inclusive diante do risco de novas crises pandêmicas.
Entre os temas que, na avaliação da entidade, deveriam estar no centro do debate eleitoral e ainda não estão, Francilene cita as mudanças climáticas e seus impactos sobre as cidades e a agroindústria, o risco de novas crises sanitárias e a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS), além da transformação digital e dos efeitos da inteligência artificial. A presidenta também menciona o aproveitamento das terras raras, consideradas fundamentais para a indústria do complexo de transformação digital.
Francilene destaca ainda o envelhecimento populacional como desafio de curto prazo. Segundo ela, em pouco mais de dez anos o Brasil terá mais pessoas acima dos 60 anos do que na faixa etária produtiva, o que levanta a questão sobre que tipo de soberania e autonomia o país terá construído. A presidenta da SBPC avalia que parte da classe política demonstra estar alheia a esses debates fundamentais.
Para tentar pautar o tema, a SBPC lançou o Observatório das Eleições, com mais de uma centena de propostas de políticas públicas. De acordo com Francilene, pouco mais de uma centena de candidaturas se engajaram, sendo uma única de âmbito federal e nenhuma de âmbito estadual — nenhum candidato a governador se comprometeu com as propostas. Alguns candidatos a deputado federal e ao Senado vinham aderindo, mas o movimento perdeu velocidade nos últimos dias, segundo ela.
Esta matéria foi publicada primeiro em Política · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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