CNBB parabeniza Lula e Alckmin, cobra pacificação do país e reforça defesa da vida
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) parabenizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB) pela reeleição. Em mensagem oficial divulgada nesta segunda-feira (26), a entidade afirmou que a polarização “não pode determinar o horizonte do próximo período de governo” e cobrou “gestos concretos de pacificação, de respeito às diferenças e de valorização das instituições democráticas”.
Segundo a CNBB, pacificar não significa silenciar as divergências, mas criar condições para que elas sejam enfrentadas “com respeito, justiça, verdade e disposição para o encontro”. A entidade episcopal destacou a necessidade de “cuidar da unidade do país e reconstruir os caminhos do diálogo, da confiança e da convivência fraterna entre os brasileiros” e se colocou à disposição para manter um “diálogo institucional construtivo” em defesa da vida e da dignidade humana, da justiça, da fraternidade, da solidariedade e da paz.
Ainda na mensagem, os bispos defenderam o fortalecimento das instituições, o respeito à Constituição Federal, a promoção da paz social e o combate à corrupção e a toda forma de violência. A CNBB enfatizou que o desenvolvimento nacional não pode ser medido apenas por indicadores econômicos, mas pela capacidade de “assegurar condições dignas de existência àqueles que permanecem à margem das oportunidades e dos direitos fundamentais”.
Mais cedo, a entidade havia divulgado outra carta voltada a todos os eleitos no pleito deste ano, na qual reforçou sua posição contra o aborto e citou a necessidade de uma “defesa incondicional da vida e da dignidade humana, desde a concepção até seu fim natural”. O documento lista entre os desafios do país a superação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades, a promoção do trabalho digno, o acesso à saúde, à educação e à moradia, a proteção das famílias, a segurança pública e o cuidado com a Casa Comum.
De acordo com a CNBB, essas responsabilidades exigem “políticas públicas consistentes, diálogo entre os poderes e compromisso com a correta utilização dos recursos destinados à população”. A instituição afirmou que a vitória nas urnas representa a assunção de uma responsabilidade diante de toda a população, incluindo os eleitores que fizeram escolhas divergentes, e que a autoridade pública deve ser exercida em função do bem comum. Os bispos também pediram a rejeição inequívoca da violência, da intolerância, da desinformação e de qualquer tipo de discriminação, e ressaltaram que sua disposição ao debate “não se confunde com adesão partidária”. O documento é assinado por Dom Jaime Cardeal Spengler (presidente), Dom João Justino de Medeiros Silva (1º vice-presidente), Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa (2º vice-presidente) e Dom Ricardo Hoepers (secretário-geral).
Lula e Alckmin venceram a chapa do PL formada pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ) e pelo deputado Alfredo Gaspar (AL), com 64,2 milhões de votos (51,79%), contra 59,8 milhões (48,21%). Durante a campanha, a CNBB negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas à disputa eleitoral, após a circulação de uma fake news sobre a suposta intenção de Flávio de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Após a manifestação dos bispos, o senador recuou e agradeceu à entidade pelo esclarecimento.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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