Como é o modelo de Bukele de combate ao crime que inspira a direita no Brasil?
Candidatos alinhados à direita na eleição presidencial brasileira, como Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), já elogiaram ou demonstraram publicamente o desejo de impor no Brasil um modelo de segurança pública semelhante ao implantado por Nayib Bukele em El Salvador. O modelo, que rende ao salvadorenho o primeiro lugar no ranking de popularidade da América Latina, com 68,7% de aprovação, é marcado por resultados expressivos na queda da criminalidade, mas também por críticas de organizações de direitos humanos.
Os números oficiais do governo de El Salvador apontam queda no índice de homicídios por 100 mil habitantes, de 106,3 em 2015 para 1,3 em 2025. O país chegou a registrar 189 dias sem homicídios no início de agosto. Para isso, Bukele adotou medidas como o Regime de Exceção, aprovado em 2022, que suspende garantias constitucionais, autoriza detenções sem ordem judicial e ampliou o efetivo de segurança com 20 mil soldados do Exército. Mais de 90 mil pessoas foram presas, incluindo cerca de 3 mil crianças, e ao menos 261 detentos morreram sob custódia, segundo uma organização de direitos humanos.
O modelo também inclui a construção de megaprisões, como o Centro de Confinamento contra o Terrorismo (CECOT), com capacidade para 40 mil presos. As penas para crimes ligados a gangues foram ampliadas, chegando à prisão perpétua. Críticos apontam detenções em massa, violações do devido processo e mortes sob custódia do Estado como os principais problemas da política de segurança salvadorenha.
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