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Como eleições nos EUA devem selar destino de Trump e futuro da relação com o Brasil em 4º mandato de Lula

Por Redação
Atualizado em 02/11/2026 às 20:35 schedule 3 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Nesta terça-feira (3/11), nove dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os Estados Unidos realizam eleições de meio de mandato que podem redesenhar a relação entre os dois países. O pleito define todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de 39 governadores de Estados e territórios e diversos cargos estaduais e locais.

Pesquisas de intenção de voto indicam que a oposição democrata tem chances de conquistar maioria na Câmara e, talvez, até no Senado — cenário descrito como uma "onda azul". Hoje, o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, controla o Executivo e as duas Casas do Legislativo, o que permitiu avançar sua agenda sem grande resistência. Essa agenda inclui tarifas a produtos importados de diversos países, entre eles o Brasil, uma guerra no Irã e ações militares na América Latina, onde o governo Trump tem o objetivo declarado de "restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental".

Desde que Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, a relação com o Brasil atravessa um período de tensão. O americano impôs um "tarifaço" sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades em resposta ao que descreveu como "perseguição" sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula nesta eleição. A embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, está com o visto revogado desde agosto: continua autorizada a atuar no país, mas precisaria de novo visto para entrar novamente em território americano caso deixe os EUA. Durante a campanha, Lula criticou as medidas americanas e apostou no discurso de defesa da soberania.

Trump não se manifestou publicamente em favor de nenhum candidato no Brasil, diferentemente do que fez em disputas em outros países da América Latina. Uma vitória de Flávio, aliado ideológico do republicano, representaria a consolidação da influência de Trump na região, em meio a uma onda de líderes de direita eleitos recentemente. Lula, por sua vez, terá o desafio de superar os atritos diplomáticos, mas poderá iniciar o quarto mandato diante de um Trump enfraquecido e, possivelmente, de um Congresso americano disposto a exercer maior escrutínio sobre a agenda do republicano para a América Latina.

"Lula sempre foi muito pragmático nas suas relações com os EUA", diz à BBC News Brasil o historiador Lucas de Souza Martins, pesquisador da Universidade Temple, na Filadélfia. "Embora tenha utilizado o discurso da soberania como instrumento eleitoral, jamais se furtou de manter aberta a busca por relações através de canais institucionais, bilaterais, com os EUA", observa. O pleito ocorre em um momento de queda acentuada da popularidade de Trump, com aprovação de apenas 31% segundo pesquisa recente. Os americanos estão preocupados com o custo de vida, a inflação e os altos preços dos combustíveis, agravados pela decisão dos EUA de atacar o Irã, em fevereiro. Segundo pesquisas, menos de 30% aprovam a maneira como Trump conduz a economia.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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