Como Lito Sousa conquistou a internet falando de aviação e agora mobiliza seguidores contra doença rara
O mecânico e piloto Joselito Geraldo de Sousa, mais conhecido na internet como Lito Sousa, construiu uma carreira de mais de 15 anos como um dos principais influenciadores de aviação do país. Aos 59 anos, ele acumula mais de 3,7 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, o Aviões e Músicas, criado em 2010. A trajetória, porém, ganhou novo capítulo na última semana, quando sua esposa, Mila Seidl, revelou que ele foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurodegenerativa rara e de evolução rápida.
Antes de se tornar influenciador, Lito passou mais de duas décadas trabalhando com aviões comerciais. Ainda adolescente, fez curso técnico da Força Aérea Brasileira (FAB) e, em 1986, aos 19 anos, conseguiu o primeiro emprego no setor, na Varig. Em menos de dois anos, tornou-se inspetor. Depois, passou pela Transbrasil e chegou à United Airlines, onde trabalhou por 25 anos. Em 2021, aos 53 anos, acrescentou mais uma função à trajetória: tornou-se piloto, após ser provocado por seguidores durante uma transmissão ao vivo. O processo foi registrado na série Decola Lito, e o vídeo do primeiro voo solo teve quase 1 milhão de visualizações.
A relação com a internet começou em 2004, com um blog, e migrou para o YouTube em 2010. O formato que consolidou sua audiência era explicar temas complexos da aviação — como turbulências, ruídos durante o voo e procedimentos de emergência — para passageiros comuns. Em 2015, o canal ultrapassou 100 mil inscritos. O crescimento o levou a outras plataformas, como Instagram e TikTok, e a participações em programas de TV e podcasts como especialista em segurança aérea. Em 2019, publicou o livro "Onde Morrem os Aviões", sobre uma experiência na carreira quando acompanhou aeronaves da Varig vendidas ao então Zaire, atual República Democrática do Congo.
O diagnóstico de DCJ veio após Lito revelar, em julho, ter sido diagnosticado com câncer de próstata e, posteriormente, com um quadro de inflamação no sistema nervoso. Segundo Mila, ele perdeu parte da capacidade motora nas últimas semanas, embora tenha mantido a lucidez. A doença tem incidência estimada de 1 a 2 casos por milhão de habitantes por ano no mundo, e não há tratamento aprovado capaz de interromper sua progressão.
Diante da urgência, familiares e seguidores passaram a se mobilizar em busca de pesquisadores e instituições que desenvolvem estudos sobre a doença. Um dos alvos é um ensaio clínico com o medicamento experimental ION717, da farmacêutica americana Ionis Pharmaceuticals. Segundo a família, duas pesquisas são consideradas as alternativas mais promissoras — uma ligada a Harvard, nos Estados Unidos, e outra multicêntrica, com centros na França, Alemanha e Inglaterra —, mas nenhuma está aceitando novos participantes neste momento. No domingo (23/8), Lito publicou um vídeo em inglês no Instagram fazendo um apelo por uma vaga em pesquisa experimental. A publicação já ultrapassou 39 milhões de visualizações e foi compartilhada mais de 467 mil vezes.
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