Como o pai analfabeto inspirou legado de educação e filantropia de Dolly Parton
Como o pai analfabeto inspirou legado de educação e filantropia de Dolly Parton
O nome de Dolly Parton agora está gravado na entrada do antigo East Tennessee Children’s Hospital, em Knoxville, que neste ano anunciou que seria batizado em homenagem à lendária cantora country. O hospital pediátrico sem fins lucrativos, que atende a região há cerca de 90 anos, firmou parceria com a artista para reforçar sua missão de tratar cada criança “como se fosse da própria família”.
Para Parton, a homenagem simbolizava um compromisso que começou ainda na infância, observando seu pai, Robert Lee Parton, que nunca aprendeu a ler nem a escrever. “Tudo isso começou porque meu pai não sabia ler nem escrever, e eu vi o quanto isso podia limitar uma pessoa”, disse a cantora durante o discurso de agradecimento pela Medalha Carnegie de Filantropia, recebida em 2022. “Meu pai era um homem muito inteligente. Muitas vezes me perguntei o que ele poderia ter feito se tivesse aprendido a ler e escrever. Foi daí que veio minha inspiração.”
O que começou como um projeto local de incentivo à leitura tornou-se uma operação global. A Imagination Library, criada por Parton, hoje funciona em milhares de comunidades nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda e Austrália. O programa distribui mais de 3 milhões de livros por mês e já entregou mais de 270 milhões de exemplares desde sua criação, todos gratuitamente, independentemente da renda das famílias.
A trajetória filantrópica de Parton se estendeu por quase quatro décadas. Em 1988, ela criou a Dollywood Foundation, com o objetivo inicial de reduzir a evasão escolar em seu condado natal. Nos anos 2000, a organização criou uma bolsa universitária de US$ 15 mil para estudantes do ensino médio. Em 2007, a cantora ampliou sua atuação para a área da saúde, com um show beneficente que arrecadou US$ 500 mil; somados aos aportes da Dollywood e do Dixie Stampede, o evento gerou US$ 1 milhão para projetos médicos na região, resultando na inauguração, em 2010, do LeConte Medical Center.
Parton também se destacou em ações de auxílio a vítimas de desastres naturais, como o People Fund, que oferecia US$ 1 mil por mês durante seis meses para famílias que perderam suas casas em incêndios florestais no Tennessee. Durante a pandemia, doou US$ 1 milhão para a Universidade Vanderbilt, ajudando a financiar pesquisas sobre o coronavírus. Em 2022, fez nova doação de US$ 1 milhão para pesquisas em doenças infecciosas pediátricas e anunciou que a Dollywood passaria a cobrir integralmente mensalidades, taxas e livros para qualquer um de seus 11 mil empregados que desejasse continuar os estudos. A cantora morreu aos 80 anos, conforme confirmado pela família nesta terça-feira (25).
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