Comprou Tesouro IPCA+ acima de 8%? Simulação mostra se vale a pena vender agora
O Tesouro IPCA+ segue oferecendo ao investidor brasileiro um juro real elevado, acima de 7% em qualquer vencimento. A remuneração, porém, já foi maior: em junho, o papel com vencimento em 2032 alcançou sua maior taxa, de 8,47% ao ano. Quem comprou naquele momento tem hoje um ativo valorizado e pode realizar lucro em pouco tempo — mas a venda antecipada nem sempre compensa.
Uma simulação feita pela Hike Capital a pedido do InfoMoney avaliou o caso de quem aplicou R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ 2032 no pico de junho e considera vender agora, 98 dias depois. Com a taxa em 7,68% praticada na última quarta-feira (24), o resgate bruto seria de R$ 10.672,52, alta de 6,73%. Descontados o Imposto de Renda de 22,5%, cobrado em aplicações de até 180 dias, e a custódia da B3, sobrariam R$ 10.515,66. O ganho líquido seria de 5,16%, ou 20,6% ao ano. O CDI teria deixado cerca de R$ 281 líquidos. A simulação também considerou a taxa de 7,59%, a menor desde abril, registrada no último dia 11.
Segundo Maria Carolina Luchesi, especialista de investimentos da Hike Capital e autora da simulação, apenas 2,25 pontos percentuais do ganho bruto vêm do carrego. Os outros 4,4 pontos são efeito da marcação a mercado: quando as taxas caem, o preço dos títulos já emitidos sobe. O papel de 2032 reagiu a uma queda de 79 pontos-base. O Imposto de Renda leva R$ 151 de um ganho bruto de R$ 672, mas o líquido ainda fica perto do dobro do CDI. "A alíquota máxima reduz o resultado, mas não o elimina", afirma Luchesi.
Esperar a mudança de faixa da tabela regressiva de IR também não compensa, segundo ela. A alíquota cai para 20% em 16 de dezembro, o que economizaria R$ 16,81 com os preços parados. Como cada 10 pontos-base de alta na taxa custam R$ 58 à posição, uma abertura de 2,9 pontos-base anularia o benefício. "O que define o resultado é o destino do dinheiro após a venda."
Para quem comprou com o objetivo de levar o título até 2032, a recomendação da Hike é manter a posição. Luchesi vê três situações em que realizar é coerente: quando há um objetivo para o dinheiro que não estava previsto antes do investimento; quando a posição cresceu além do peso desejado e uma venda parcial reequilibra a carteira; e quando há alternativa com retorno ajustado ao risco interessante. "Fora disso, a venda troca retorno contratado por decisão ainda não tomada." A especialista lembra que junho foi um mês atípico, mas o nível atual segue alto em termos históricos: quem compra hoje trava 7,68% de juro real por quase seis anos. Repetir o ganho de marcação exigiria nova compressão forte, e riscos como a eleição, o fiscal, o aperto monetário nos países desenvolvidos e o petróleo acima de US$ 100 reduzem essa chance.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação