Corredor Andes-Atlântico: o que se sabe sobre o ambicioso projeto dos EUA para acessar recursos estratégicos da Argentina (e competir com a China)
Argentina e Estados Unidos assinaram, no fim de setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, um acordo de investimento de quase US$ 7 bilhões (cerca de R$ 36,5 bilhões). Batizado de Corredor Andes-Atlântico, o projeto foi apresentado no Consulado-Geral da Argentina em Nova York pelo ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, e pelo subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau.
Segundo os governos dos dois países, o objetivo central é melhorar a infraestrutura de rodovias, portos e ferrovias da Argentina para facilitar a exportação de minerais, petróleo e gás. O comunicado conjunto divulgado após a assinatura afirma que o corredor buscará "facilitar o investimento público e privado em transporte, energia e infraestrutura digital" e consolidar os EUA como "um parceiro fundamental para a Argentina em infraestrutura e investimento".
De acordo com veículos de imprensa locais, o financiamento ficará a cargo do Banco de Exportação e Importação dos EUA (Exim). Os recursos serão destinados principalmente à compra de bens e serviços americanos a partir de 2027 e, inicialmente, serão investidos na melhoria da infraestrutura terrestre que conecte os campos de petróleo de Vaca Muerta, no oeste do país, aos portos comerciais argentinos.
Para analistas, o anúncio reforça o apoio a Javier Milei em pleno ano eleitoral e integra a disputa dos EUA com a China por espaço nos setores produtivos argentinos. "Está claro que, diante da instabilidade que vemos em muitas partes do mundo, os EUA estão buscando uma rota segura para garantir o fornecimento desse tipo de recurso natural", afirmou o pesquisador de economia Esteban Actis, da Universidade Nacional de Rosário, à BBC News Mundo. Segundo ele, o acordo também oferece proteção a potenciais investidores, diante do histórico de dificuldades de pagamento da Argentina.
O documento menciona ainda as jazidas de lítio e cobre no norte do país, especialmente na província de Jujuy. A Argentina tem a terceira maior reserva de lítio do mundo e mantém contratos com empresas chinesas para explorar o recurso. Questionado pelo canal argentino TN sobre eventual cláusula relativa a esses investidores, Quirno negou: "Não, não há nenhuma condição desse tipo. A aliança estratégica com os EUA não prejudica a relação comercial da Argentina com a China". Para Actis, porém, "é evidente que esse investimento está ligado à ideia de substituir gradualmente os investimentos chineses já estabelecidos no país nos setores de lítio e de outros minerais".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação