Crédito alcança 122,8 milhões de brasileiros, mas inadimplência avança
Crédito alcança 122,8 milhões de brasileiros, mas inadimplência avança
O Brasil ganhou quase 26 milhões de novos tomadores de crédito na primeira metade da década, ampliando o alcance do sistema financeiro para um número recorde de consumidores. Entre 2021 e 2025, o total de pessoas com crédito ativo passou de 96,8 milhões para 122,8 milhões, alta de 27%, enquanto o saldo de operações cresceu 63,7%, alcançando R$ 4,47 trilhões. Ao mesmo tempo, a taxa de indivíduos inadimplentes avançou de 19,9% para 26,3%, revelando um paradoxo da inclusão financeira.
Os dados fazem parte do estudo “O começo de uma década – A evolução do mercado financeiro até a metade dos novos anos 20”, produzido por Equifax BoaVista, Acordo Certo e CDL Porto Alegre. A análise utilizou dados do Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central referentes ao período de janeiro de 2021 a dezembro de 2025. A pesquisa de percepção ouviu 2.533 usuários da plataforma Acordo Certo entre 26 de maio e 11 de junho de 2026, com respostas coletadas de forma voluntária e anônima.
O número de relacionamentos entre consumidores e instituições credoras saltou de 260,1 milhões para 396,7 milhões no período, avanço de 52,5%. O saldo dos contratos ativos passou de aproximadamente R$ 2,7 trilhões para R$ 4,47 trilhões, refletindo uma forte expansão do acesso ao crédito entre os brasileiros. Enquanto isso, o saldo inadimplente mais que triplicou no período, saltando de R$ 54 bilhões para R$ 177,6 bilhões. Com isso, a inadimplência sobre a carteira ativa de crédito praticamente dobrou, passando de 1,98% para 3,97%.
O movimento também aparece no cadastro de negativados. O número de pessoas com restrições de crédito cresceu 39,8% em cinco anos, enquanto o volume de registros aumentou 73,1%. Apesar da piora dos indicadores, a maior parte dos consumidores segue honrando seus compromissos. Ao final de 2025, 73,7% dos mais de 122 milhões de brasileiros com crédito ativo permaneciam adimplentes.
Outro indicador que chama atenção é o comprometimento da renda das famílias com contratos de crédito. O percentual subiu de 70,3% em 2021 para 81,1% em 2025, após atingir um pico de 86,1% em 2024. Embora tenha havido uma leve melhora no último ano analisado, o indicador segue acima do observado no início da década. Segundo Oscar André Frank Junior, economista-chefe da CDL Porto Alegre, a redução observada em 2025 não deve ser interpretada como uma mudança estrutural. “A queda observada no comprometimento de renda em 2025, na comparação com 2024, não deve necessariamente ser encarada como uma melhora estrutural, pois é possível que seja resultado de um processo de ajuste das famílias ao cenário de custo elevado do crédito”, afirma. O economista destacou ainda que os grupos mais vulneráveis à inadimplência continuam sendo os consumidores mais jovens e aqueles com renda de até dois salários mínimos, mais expostos a choques de renda e oscilações no mercado de trabalho.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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