De Lisboa a Seul: conferência debate o papel da JMJ na construção da paz
A experiência de acolhimento vivida em Lisboa e a expectativa para o próximo encontro, em Seul, conduziram a conferência realizada na manhã desta sexta-feira (30/10) na Villa Lusa, em Roma. O evento reuniu as embaixadas de Portugal e da República da Coreia junto à Santa Sé para debater o tema “De Lisboa a Seul: um caminho rumo a um futuro corajoso, respeitoso e pacífico”. A conferência integrou a programação da 17ª edição do Festival da Diplomacia, dedicado à geopolítica, à economia global e às relações internacionais, que neste ano tem como tema “O que vem depois? Correndo no limite”.
Ao saudar os participantes, o embaixador da Coreia junto à Santa Sé, Hyung-sik Shin, definiu o espírito da JMJ Seul 2027. Segundo ele, a capital sul-coreana “se tornará um grande palco de encontros, superando divisões entre a Coreia e o mundo, entre diferentes religiões e culturas, e entre gerações e regiões”. O diplomata destacou que será a primeira vez que a Jornada se realiza em um país sem maioria católica e cuja língua não tem origem europeia, descrevendo o evento como “uma genuína jornada sinodal, que acolhe a juventude como o ‘agora’ da Igreja”. Ele recordou as raízes da Igreja no país, nascida antes da chegada dos missionários estrangeiros e marcada por mais de 10 mil mártires, e afirmou que a Jornada, tendo a paz como cerne, deve permitir que essa onda se propague para além do encontro, alcançando a Ásia e o restante do mundo.
O embaixador citou ainda o empenho da preparação local: atuação das missões diplomáticas, agilização de vistos, acomodações por toda a cidade, passes de transporte, refeições, segurança, apoio médico, assistência multilíngue 24 horas e iniciativas ecológicas, com o objetivo de oferecer um ambiente seguro e acolhedor aos peregrinos e suas famílias. Seul, segundo ele, servirá como fórum global para discernir os “sinais dos tempos”, refletindo sobre as angústias da juventude, a crise climática, o capitalismo de consumo e a ética na era da Inteligência Artificial.
A perspectiva pastoral foi trazida pelo padre Riccardo Pincerato, da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal Italiana. Ao recordar a multidão de Lisboa e seu espírito de alegria e fraternidade, afirmou que, mesmo atravessando continentes, línguas e formatos, a Jornada preserva seu coração. “A Jornada Mundial da Juventude não é um evento para ser consumido. Tem a forma de um rito de passagem, como toda peregrinação”, destacou. Para os jovens italianos, ir a Seul significará “em primeiro lugar receber e, só então, dar”, observou.
O presidente da Fundação João Paulo II para a Juventude, Daniele Bruno, retomou o tema do Festival e defendeu que “a voz dos jovens é indispensável: não porque eles já tenham todas as respostas, mas porque eles são capazes de enfrentar o medo com esperança, a resignação com o desejo de participar, e o distanciamento com a disposição para o encontro com o outro”. A Fundação realizará em 2 de agosto de 2027, véspera da JMJ, a 5ª Conferência da Jornada Mundial da Juventude na Universidade Católica da Coreia, com o tema “Os Jovens e a Fraternidade: O Desafio de uma Corajosa Corresponsabilidade”, abordando paz, cuidado com a criação, promoção da vida, amizade social, economia, saúde mental e pesquisa científica.
O tema da diplomacia como construção da paz uniu as reflexões da representante do Festival da Diplomacia, Badriyyakhanim Soltanli, e da embaixadora de Portugal junto à Santa Sé, Maria Amélia Paiva. Para Badriyyakhanim, a paz vai além do silêncio: é dignidade, oportunidade, justiça e esperança. “Mediar não é ter todas as respostas, mas criar espaço para que as pessoas sejam ouvidas”, afirmou. A embaixadora portuguesa, que acompanhou a JMJ de Lisboa, reforçou o convite para que os jovens sejam “artesãos da paz e diplomatas da esperança”, não meros espectadores, mas protagonistas, lembrando a “diplomacia da vida cotidiana” e o “ofício da reconciliação” fundamentado nos direitos invioláveis da pessoa, na liberdade e no Estado de direito.
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