Debêntures isentas de IR podem chegar perto de R$ 1 tri em 10 anos, diz gestora
O Brasil pode estar entrando em um novo ciclo de investimentos em infraestrutura que dependerá, em sua maior parte, do financiamento privado. A avaliação é da Riza Asset, em estudo divulgado aos clientes, segundo o qual uma agenda institucional de longo prazo, menos dependente de governos, e o amadurecimento regulatório e contratual das concessões criam condições para ampliar esse investimento.
De acordo com a gestora, depois de energia elétrica e saneamento, os transportes — em especial as rodovias — devem ser um dos principais vetores do ciclo, desde que o mercado de capitais consiga oferecer recursos em volume e prazos adequados.
O estudo destaca a redução da participação do BNDES no financiamento dos projetos, o que aumenta a importância do mercado de capitais. A Riza cita dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) segundo os quais as debêntures incentivadas já representavam, em 2024, 37,1% do financiamento dos principais setores.
O estoque desses papéis, de R$ 571 bilhões este ano, equivale a 40% do total de papéis emitidos pelas empresas e poderá chegar a R$ 935 bilhões em 2036, com transporte e logística reduzindo a concentração atual no setor elétrico.
O perfil dos compradores também deve mudar. Os fundos de investimento, que hoje respondem por 40% da demanda por novas ofertas, passariam a 55%, enquanto as pessoas físicas cairiam de 30% para 15%, e os bancos manteriam a fatia de 30%. Segundo a gestora, à medida que o mercado ganha escala e exige maior capacidade de análise, seleção e diversificação, uma parcela crescente dessa demanda deverá migrar da compra direta para veículos especializados. Com isso, o patrimônio dos fundos de infraestrutura, hoje de R$ 346,5 bilhões, precisaria chegar a R$ 771 bilhões em 2036 para acompanhar o aumento da participação dos fundos nos projetos, alta de 2,2 vezes.
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Por Redação