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Economista de Plano Real acusa BC de causar rombo fiscal via juros

Por Redação
Atualizado em 02/11/2026 às 21:50 schedule 4 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O economista André Lara Resende, que integrou a equipe responsável pela elaboração do Plano Real, tem ganhado destaque nos últimos dias com um artigo em que acusa o Banco Central (BC) de causar desequilíbrio fiscal no Brasil por meio das altas taxas de juros. Formado pela PUC do Rio de Janeiro e com PhD em economia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, ele defende novas regras para as despesas e os juros no país.

“Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater”, escreveu. O economista questiona a teoria defendida pelo mercado financeiro e pelo BC para justificar a taxa Selic em 13,75% ao ano. Segundo ranking da Moneyou, o Brasil tem a taxa de juros real mais alta do mundo. “Acuso a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema está no gasto primário, quando está nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econômica.”

Apesar de reconhecer que o Brasil gasta mal e aloca recursos de forma “irracional”, como nas emendas parlamentares, nas vantagens salariais do Judiciário e nas isenções tributárias “de toda ordem”, Lara Resende sustenta que o país tem um déficit fiscal pequeno, entre os menores do mundo. “Quando se exclui o serviço da dívida, as contas estão praticamente equilibradas. A grande despesa do Estado é com os juros sobre a dívida”, afirmou. Ele reconhece que o crescimento da dívida pública, que passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026, é insustentável, mas destaca que o problema não está nos gastos primários. “Nos últimos anos, exceto durante a Covid, o resultado primário foi apenas ligeiramente negativo; já o déficit nominal, puxado pelos juros, foi sempre alto e agora aproxima-se de 10% do PIB.” Nos últimos 12 meses, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento, ou 8,9% do PIB.

O Banco Central justifica os juros elevados pelas pressões inflacionárias e pelos déficits fiscais primários. Os comunicados do Comitê de Política Monetária (Copom) apontam como fatores que contribuem para a inflação o aquecimento da economia e do mercado de trabalho e a trajetória dos gastos públicos. “O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros”, diz a última ata. Lara Resende contesta a tese de que não há alternativa aos juros altos e afirma que não existe mais uma relação inversa entre desemprego e inflação. Ele admite que a redução dos juros traz aumento da inflação, mas classifica o efeito como de “curto prazo” e transitório.

Como proposta, o economista sugere um novo regime fiscal e monetário, com metas fiscais e de juros planejadas por um período de quatro a cinco anos e anunciadas de forma conjunta. “As metas de inflação seriam anunciadas em conjunto com metas para a taxa básica de juros. O BC se comprometeria a manter a taxa básica num intervalo entre a meta de inflação, 3%, e taxa de crescimento nominal potencial”, explicou. Ele acrescenta que a intervenção do BC no mercado de câmbio deve ser necessária para evitar depreciações mais intensas do real. “Com reservas internacionais de mais de US$ 350 bilhões, o BC tem munição de sobra para isso.”

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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