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Eleição 2026: o que o investidor deve observar após o 1º turno

Atualizado em 02/10/2026 às 19:20 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, o investidor enfrenta uma dificuldade que vai além de tentar antecipar o resultado da votação: entender o que o próximo governo efetivamente fará depois dela. Segundo o analista Paulo Gama, head de análise política da XP, algumas das decisões mais relevantes para o mercado — especialmente na área fiscal — tendem a aparecer com menos clareza durante uma disputa apertada, o que transforma a eleição apenas no primeiro passo de uma análise mais longa.

Em eleição disputada, há pouco incentivo político para detalhar medidas que possam ser percebidas como impopulares. Gama explica que essa lacuna impede concluir, por si só, qual será a política fiscal do governo eleito. Ele compara o cenário brasileiro ao da eleição argentina de 2023, quando a profundidade da crise abriu espaço para uma candidatura ser explícita sobre medidas duras. No Brasil, diz, não há esse ambiente. Um dos pontos centrais, na avaliação dele, será entender como o próximo governo pretende enfrentar o crescimento das despesas obrigatórias e seus efeitos sobre a trajetória da relação dívida-PIB.

Mesmo uma proposta econômica claramente apresentada está longe de produzir efeitos concretos. Entre a formulação de uma agenda dentro da equipe econômica e sua implementação, há uma sequência de decisões políticas, legislativas e administrativas: validação no Executivo, transformação em projeto de lei, tramitação no Congresso, eventuais mudanças feitas por parlamentares, veto ou sanção presidencial e regulamentação. Por isso, o investidor não deveria avaliar uma política apenas pelo anúncio inicial. A escolha do relator, o apoio interno no governo e a chegada do texto ao Legislativo são sinais que ajudam a estimar a capacidade de avanço — um parlamentar governista pode ter mais dificuldade de construir apoio, um deputado de centro tende a produzir texto de composição e um opositor pode buscar alterações mais profundas.

Passada a votação, Gama aponta três etapas relevantes para avaliar a agenda econômica: formulação, apoio presidencial e governabilidade. A primeira pergunta é se as políticas caminham na direção do esforço fiscal considerado necessário pelo mercado. Depois, se o presidente está disposto a gastar capital político para fazer a proposta avançar. Por fim, se há maioria suficiente no Congresso para aprová-la. O momento em que os primeiros sinais aparecem também varia: em um governo de continuidade, as respostas podem surgir mais rapidamente; em uma alternância de poder, o primeiro sinal relevante tende a ser a composição da equipe econômica.

Para o investidor estrangeiro, a leitura é comparativa: ele costuma observar o Brasil ao lado de outros mercados latino-americanos ou emergentes. Segundo Gama, o estrangeiro acostumado a acompanhar outros países enxerga um eventual quarto mandato do Lula como mais do mesmo, enquanto o investidor local parece mais cético sobre a capacidade de implementação de algum tipo de ajuste. O analista também afirma perceber menor peso de questões geopolíticas na análise dos estrangeiros do que na eleição anterior. Diante do excesso de informação, a recomendação é não tratar toda notícia como mudança estrutural de cenário: uma notícia nova não precisa necessariamente produzir uma tese nova — primeiro, precisa ser confirmada e confrontada com o cenário já construído.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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