Eleições nos EUA: como apoio a Israel e guerra em Gaza afetam disputa ao Senado
A disputa pela vaga aberta de Michigan no Senado dos Estados Unidos se tornou um teste sobre o apoio americano a Israel e a guerra em Gaza. O Estado, que abriga o maior percentual de árabes-americanos do país e também uma população considerável de eleitores judeus, vê a política externa se sobrepor a temas domésticos tradicionais das eleições de meio de mandato.
O democrata Abdul El-Sayed, médico que, se eleito, se tornará o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, enfrenta o republicano Mike Rogers, ex-agente do FBI e ex-membro da Câmara dos Representantes por 14 anos. Apoiado por Donald Trump, Rogers defende que a ajuda militar à operação de Israel após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 é uma questão de segurança nacional. El-Sayed, progressista declarado, critica o uso de dinheiro dos impostos americanos para financiar o que descreve como genocídio — acusação que Israel rejeita. Segundo o projeto Custos da Guerra da Universidade Brown, os gastos americanos no conflito ultrapassaram US$ 31 bilhões nos primeiros dois anos.
Eleitores que tradicionalmente votavam nos democratas mudaram de lado. A iemenita-americana Samraa Luqman, que sempre foi democrata, votou e fez campanha por Trump em 2024 motivada pela questão de Gaza. Agora, ela se considera republicana, mas apoia El-Sayed. O democrata venceu por margem estreita a adversária moderada Haley Stevens nas primárias. Dois dias antes da eleição, porém, Stevens surpreendeu colegas ao apoiar publicamente Rogers, chamando a disputa de batalha pela "consciência do Senado".
Do outro lado, parte do eleitorado judeu expressa receio. Após um ataque violento à sinagoga Templo Israel, em Michigan, em março, El-Sayed disse que "pessoas feridas machucam as outras pessoas" — o responsável pelo ataque havia perdido parentes em um ataque aéreo israelense no Líbano. O candidato pediu desculpas depois e afirmou que não tentava justificar o ataque, mas a declaração não desfez as tensões. O presidente do Conselho de Rabinos de Michigan, Aaron Starr, declarou que não votará em El-Sayed. O advogado Jordan Acker, democrata e membro do conselho da Universidade de Michigan, disse que precisa acreditar que o candidato o respeita e afirmou ter dúvidas sobre votar no antigo colega de faculdade.
Rogers tem buscado conquistar o eleitorado judeu apresentando-se como forte amigo de Israel e já chamou El-Sayed de "antijudeus". Críticos o acusam de alimentar a islamofobia ao tentar rotular o adversário como simpatizante do extremismo islâmico. A campanha foi marcada por frequentes ataques islamofóbicos e antissemitas, e a definição da vaga é considerada decisiva para determinar qual partido controlará o Congresso no restante do mandato de Trump.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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