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Em meio a incertezas, Copom pode redefinir humor dos ativos brasileiros?

Por Redação
Atualizado em 04/11/2026 às 11:50 schedule 4 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O mercado financeiro aguarda a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira com a expectativa praticamente consolidada de que o Banco Central manterá a taxa Selic em 13,75% ao ano. Para investidores, no entanto, o principal gatilho para os ativos brasileiros não será a decisão em si, mas o tom do comunicado que a acompanhará. O país convive com incertezas fiscais, inflação acima da meta e um debate intenso sobre as propostas do economista André Lara Resende para reduzir estruturalmente o custo da dívida pública.

A expectativa é de que o BC reafirme no texto seu compromisso com o controle da inflação e sua independência em relação ao debate político. Nas últimas semanas, o mercado reagiu negativamente tanto à piora da percepção fiscal quanto à repercussão das ideias defendidas por Lara Resende, que sugeriu redução gradual da Selic para cerca de 7,5% ao longo de 12 meses, acompanhada de mudanças na coordenação entre as políticas monetária e fiscal.

Para Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e professor da FGV, a importância da reunião está menos na decisão e mais na comunicação. Segundo ele, um comunicado firme pode ajudar a reduzir os prêmios de risco, favorecer o real e até criar condições para uma recuperação da Bolsa. "O mercado não espera apenas uma decisão sobre a Selic. Espera uma demonstração de credibilidade do Banco Central", afirma. Na mesma linha, Gabriel Pinheiro, sócio da GT Capital, avalia que o encontro passou a ser visto como a primeira grande resposta institucional ao choque provocado pela eleição. "Hoje, cada palavra do comunicado vale mais do que a decisão em si", diz.

Embora juros elevados normalmente representem obstáculo para ações e atividade econômica, analistas avaliam que um comunicado considerado "hawkish" — duro, com preocupação explícita sobre a inflação — pode ser bem recebido neste momento. A deterioração recente das expectativas inflacionárias e a abertura da curva de juros aumentaram a importância da credibilidade do BC. Karen Focchesatto, consultora da Unicred Porto Alegre, destaca que uma comunicação mais dura pode ser vista de forma positiva mesmo que implique juros altos por mais tempo. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, aponta que o cenário mais favorável seria a manutenção da Selic com mensagem explícita sobre riscos para inflação, câmbio e expectativas, o que poderia trazer alívio no dólar e achatamento da curva de juros.

Entre os especialistas, o cenário mais provável é o de Selic mantida com tom duro no comunicado, destacando a deterioração das expectativas de inflação, o impacto da desvalorização cambial e os riscos fiscais. Uma segunda possibilidade seria uma mensagem mais neutra, dependente dos dados, que poderia ser interpretada como insuficiente diante do aumento das incertezas. Já um comunicado mais brando ou uma sinalização de cortes próximos poderia provocar nova abertura da curva de juros e pressionar o dólar. Sobre o debate em torno das ideias de Lara Resende, Gesner Oliveira pondera que o objetivo de reduzir os juros é correto, mas depende de condições macroeconômicas adequadas. "O Brasil precisa de juros menores, mas a pior maneira de conseguir isso é tentar reduzi-los sem antes enfrentar as causas que os mantêm elevados", afirma.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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