Em 'Noturno', serial killer ardiloso 'às vezes' reflete realidade: 'todos estamos sendo manipulados'
O thriller "Noturno" estreia nesta sexta-feira (30) na Apple TV, adaptando o best-seller "O Homem de Areia", de Lars Kepler — pseudônimo do casal sueco Alexandra Coelho Ahndoril e Alexander Ahndoril. A trama acompanha investigadores em uma busca desesperada pelas vítimas de um psicopata que aterroriza uma cidade mesmo depois de preso em uma instituição psiquiátrica. O elenco reúne Liev Schreiber ("Ray Donovan"), Zazie Beetz ("Atlanta") e Stephen Graham ("Adolescência").
Para os astros, é possível traçar paralelos entre o mundo real e um vilão capaz de enganar quem está ao seu redor, mesmo quando todos sabem que ele é um criminoso. "Todos estamos sendo manipulados de muitas maneiras diferentes. E nem sempre é por uma pessoa. Às vezes é por uma coisa, uma ideia, um slogan, uma opinião, uma briga. Mas é tudo manipulação", afirma Schreiber.
Conhecido por personagens contidos e de poucas palavras, o ator explica que a postura econômica de seu protagonista nasce da própria trajetória na carreira. "Passei a maior parte da vida como ator coadjuvante. Na juventude, interpretava sujeitos esquisitos, pessoas estranhas. Quando peguei um trabalho em que tinha de ser o protagonista, tentei entender o que era liderar uma produção. A conclusão mais próxima a que cheguei foi a de que o protagonista funciona como os olhos do público", diz.
A série parte do quarto volume de uma coleção de dez livros centrados no detetive Joona Linna, rebatizado de Jonah Lynn na adaptação ambientada nos Estados Unidos. Produtora-executiva do projeto, Beetz interpreta Saga, filha de criação de Jonah e agente do FBI que se infiltra na instituição onde o vilão está internado. "Foi a história que me apresentaram. Mas achei bem sucinta, com começo, meio e fim, além de um arco muito interessante", conta a atriz.
O papel do vilão, que originalmente seria vivido por Tom Hardy, ficou com Stephen Graham. Criador do hit "Adolescência", o britânico preferiu a chance de reencontrar o diretor Tim Van Patten, com quem trabalhou em "Boardwalk Empire". "Esse foi o elemento-chave, trabalhar com o Tim de novo, que é alguém que eu adoro. Mas era um roteiro ótimo", afirma. Boa parte da força da série está na economia de movimentos do assassino, trancado em uma cela de segurança máxima e capaz de apavorar sem erguer a voz. "O Tim fez você ficar com muito medo de mim sem que eu fizesse nada", brinca Graham.
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