Estudo descobre forma de prever riscos em gestantes com doenças autoimunes via teste pré-natal
Um estudo divulgado pelo Hospital Universitário de Louvain, na Bélgica, indica que o teste pré-natal não invasivo, exame de sangue já rotineiro na gravidez, pode ser usado para prever quais gestantes com doenças autoimunes têm risco de desenvolver complicações como pré-eclâmpsia ou parto prematuro.
A pesquisa, publicada na revista Science Translational Medicine, analisou 1.910 amostras de sangue do primeiro trimestre de gestações de alto e baixo risco. Em vez de analisar o código genético, os cientistas estudaram o chamado "fragmentoma" — os padrões físicos, o comprimento e a origem biológica de fragmentos soltos de DNA livre que circulam no sangue materno.
O modelo desenvolvido foi capaz de prever, com uma taxa fixa de falsos positivos de 10%, entre 38% e 90% dos casos de complicações em pacientes com diferentes tipos de doenças autoimunes, dependendo da enfermidade. O sistema funcionou mesmo em pacientes cuja doença estava clinicamente inativa e foi validado em uma amostra independente de um centro externo.
Segundo o geneticista Joris Vermeesch, autor principal do estudo, as informações obtidas a partir da mesma amostra de sangue coletada para o teste pré-natal não invasivo permitem que os médicos intervenham mais rapidamente. Entre as possibilidades citadas estão iniciar uma dose baixa de aspirina a tempo de impedir a pré-eclâmpsia, administrar terapia direcionada ou encaminhar a paciente para um hospital universitário especializado.
Mulheres com doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatoide, psoríase ou doença de Crohn, apresentam maior risco de complicações na gravidez. Na Bélgica, 10% das gestantes sofrem de uma doença autoimune, e entre 1% e 5% necessitam de acompanhamento mais rigoroso. A técnica ainda não é usada na prática clínica, mas o centro médico trabalha para que o método se torne um exame padrão em hospitais dentro de dois a três anos.
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