Executivo que apostou em Paralamas do Sucesso e Legião Urbana expõe em livro o equilíbrio delicado entre arte e comércio que rege a indústria do disco
O executivo Jorge Davidson, que atuou como diretor artístico em gravadoras como EMI, Sony Music e BMG, reúne em livro histórias de cerca de três décadas na indústria fonográfica brasileira. A obra “Em sintonia com o sucesso – A arte de revelar talentos na música brasileira”, lançada pela editora Gryphus, tem 380 páginas e é definida, na crítica, como um relato sobre o equilíbrio delicado entre arte e comércio.
Baiano de criação carioca, Davidson trabalhou como radialista antes de ingressar no mercado do disco. Na EMI, onde começou no departamento internacional, indicou à direção artística as bandas Blitz e Paralamas do Sucesso, ambas contratadas. A atuação o levou ao posto de diretor artístico da gravadora, cargo em que decidiu pela contratação do Legião Urbana logo após ouvir uma fita cassete com canções de Renato Russo (1960-1996). A fita havia sido entregue a ele por Pedro Ribeiro, irmão do baixista Bi Ribeiro, dos Paralamas.
Entre as histórias narradas está a virada do Cidade Negra. Em fevereiro de 1993, ao assumir a direção artística da Sony Music, Davidson encontrou o nome do grupo na lista de cortes da gravadora. Ele negociou a permanência da banda, remodelou o som e o repertório e, com a saída do vocalista Rás Bernardo, escolheu Toni Garrido para o posto de cantor. Liminha foi convidado a produzir o terceiro álbum, e Davidson buscou repertório, obtendo a canção “Onde você mora?”, parceria de Marisa Monte com Nando Reis. O disco “Sobre todas as forças” se tornou um dos blockbusters de 1994.
O livro também aborda a passagem do executivo pela BMG, para onde migrou em 1997, e menciona contratações como as de Lenine e Ana Carolina, além da transformação do Pato Fu em banda de sucesso. Na área pop, Davidson orquestrou a contratação e o lançamento de Wanessa Camargo em 2000. Segundo a crítica, as contextualizações, datas e dados do livro valorizam a narrativa por estarem corretos, com exceção de uma afirmação sobre a hegemonia dos CDs no mercado em 1987 — no Brasil, o formato só se tornou dominante a partir da primeira metade da década de 1990.
De acordo com a crítica, a obra mostra que o sucesso resulta sobretudo do talento artístico, mas também da habilidade de promover um disco no mercado, e que a condução de artistas pelo caminho do sucesso foi a arte exercida por Davidson com faro, certa pressão e sensibilidade ao longo de sua atuação na indústria do disco.
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