Exposição no CCBB do Rio traz a força da arte de mulheres da Amazônia
O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB RJ) abriu, na última quarta-feira, a exposição Amazônicas: Poéticas femininas, que reúne 80 obras de 21 artistas mulheres de diferentes gerações do Pará, do Acre e do Amazonas, incluindo a Ilha de Marajó. A mostra fica em cartaz até 16 de novembro de 2026, na região central da cidade, e a abertura ocorreu na semana em que se celebra o Dia da Amazônia, em 5 de setembro.
Idealizada pelo Museu das Mulheres, a exposição ocupa todas as salas do segundo andar do CCBB RJ e chega ao Rio após passar por Belém, Fortaleza e Brasília. Segundo a diretora artística Sissa Aneleh, a curadoria partiu de pesquisas de mestrado e doutorado sobre a produção de mulheres da Amazônia, na qual identificou uma tradição. A mostra inclui obras da década de 1970 e outras mais antigas, que completam 100 anos, além de peças de arte moderna do norte do Brasil. “É muito forte a pintura e a performance, outras têm produção em menor quantidade, como esculturas, objetos e vídeo-arte”, disse em entrevista à Agência Brasil.
A curadora destacou que, pela primeira vez, uma exposição reúne as artes de Manaus e Belém, dois centros culturais representativos do território amazônico. “O que pude conferir é que a Amazônia é muito artística. A gente fala muito da fauna e da flora, mas tem uma população lá que já tem um capítulo da história da arte brasileira”, afirmou. A seleção das artistas considerou o conjunto da obra com permanência do universo amazônico e forte presença do universo feminino. A pesquisa mostrou ainda que as artistas têm apego pelo território, que virou temática. “A Amazônia é suporte, é motivo, é a própria obra de arte”, disse.
A mostra traz ancestralidade, biografia e ineditismo com a inclusão de três obras da Pinacoteca do Estado do Amazonas, em Manaus, expostas pela primeira vez no Brasil, de duas artistas pioneiras: a pintora Rita Loureiro e a gravurista Maria Auxiliadora Zuazo, ambas com produção desde a década de 1970. A exposição é dividida em quatro núcleos temáticos — Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas — e reúne trabalhos em pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte. Entre as artistas estão Auá Mendes, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Rita Huni Kuin, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.
A exposição conta com recursos de acessibilidade, como obra tátil, audiodescrição e intérprete de libras, além de visitas guiadas com a curadora, palestras e lançamento de catálogo. O público também pode participar do vídeo coletivo Mensagem para a Amazônia, que convida os visitantes a deixar mensagens sobre preservação ambiental, e do Espaço Petrobras Amazônicas, com realidade aumentada e filme em realidade virtual. A programação inclui ainda oficinas de economia criativa para mulheres e atividades educativas para o público infanto-juvenil. A mostra fica aberta de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h, com entrada gratuita. Os ingressos podem ser obtidos no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB, na Rua Primeiro de Março, 66, Centro.
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