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Fiagros se reinventam na crise, com 20% de desconto e dividendo de 15%

Por Redação
Atualizado em 09/09/2026 às 06:20 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Os Fundos de Investimento no Agro (Fiagros) enfrentam um ano de turbulência, marcado pelo aumento da inadimplência no setor, pelo juro alto e pelos efeitos climáticos e de custos sobre os produtores. Apesar do cenário adverso, as gestoras se preparam para novas captações, com estruturas de garantias mais rígidas e taxas mais altas para absorver perdas. Segundo a Anbima, a captação líquida da classe no ano soma R$ 8,5 bilhões, atraída pela isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

O reflexo da crise aparece no preço das cotas negociadas em bolsa. Levantamento da gestora Éxes Investimentos com 28 Fiagros de crédito mostra que as carteiras são negociadas, em média, a cerca de 77% do valor de seus ativos, um deságio de 23%, com dividend yield ao redor de 15,6% ao ano. “Se você comprasse hoje todos os fundos do mercado, estaria levando notas de R$ 10 por R$ 7,70, e ainda teria um rendimento de mais de 15% ao ano”, afirma Artur Carneiro, sócio e fundador da Éxes. Ele ressalva que cada investidor precisa avaliar o portfólio do gestor para verificar se os riscos estão bem precificados.

Diante da queda das cotas, a Éxes optou por manter a distribuição estável e reforçar a reserva de lucros do Fiagro Araguaia (AGRX11), hoje equivalente a quatro meses de dividendos. O fundo, que paga quase 19% ao ano, está com o maior caixa desde a criação, mais de 20% do patrimônio, ou R$ 40 milhões, para aproveitar oportunidades de renegociação de dívidas e recomposição de taxas. Após o caso AgroGalaxy, que provocou perda de 5% e levou o fundo a provisionar 99% da exposição, a carteira evita títulos corporativos e prioriza originação própria.

As gestoras também endureceram as condições para novos negócios. Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, afirma que hoje trabalha com garantias imobiliárias de 200% a 300% sobre a avaliação dos ativos, além de recebíveis e vendas a prazo. O custo das operações subiu para uma média de 18% a 20% ao ano, cerca de 130% a 140% do CDI. “É uma taxa muito alta em um mercado que era subsidiado, mas quem fomentava o agro era o Banco do Brasil, que fechou a torneira de forma muito abrupta este ano”, diz. O Grupo IOX prepara uma captação de R$ 100 milhões para crédito privado do setor, mirando também empresas em recuperação judicial por meio do DIP financing, linha autorizada pela Justiça com prioridade de pagamento em caso de falência.

Especialistas apontam que a insegurança jurídica e a dificuldade de execução de garantias afastaram gestoras ou empurraram o setor para a categoria de situações especiais. “Não dá para dar crédito aqui pensando que estamos na Suíça”, resume um gestor que preferiu não se identificar. Para Julia Bretz, da Leto Capital, os Fiagros reúnem um investidor que espera estabilidade e um setor que, por natureza, é inseguro, faltando mecanismos de mitigação. A saída da casa foi alocar parte do portfólio em ativos high grade fora do agro e contar com uma área de situações especiais quando o crédito azeda. A jurisprudência instável entre diferentes comarcas também entra na precificação dos ativos, e a recomendação é priorizar a análise do credor em vez da garantia.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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