Geração Z não confia na IA para emprego, mas confia para ações e apostas esportivas
A Geração Z vê a inteligência artificial como a maior ameaça à sua segurança no emprego, mas é também a faixa mais disposta a entregar a ela poder sobre decisões financeiras. Segundo relatório da iCIMS Workforce, 51% dos trabalhadores da Geração Z apontam a IA como principal risco profissional. O dado contrasta com o uso corrente da tecnologia: 87% já a utilizam para fins profissionais, e 24% afirmam que incorporá-la ao trabalho diário levou ao esgotamento, conforme pesquisa da Robert Half.
A contradição se repete no campo financeiro. Na Pesquisa de Investidores de Varejo 2026 da Betterment, com 1.000 investidores americanos entrevistados no fim de março, 48% dos investidores da Geração Z dizem que a IA já influenciou uma decisão financeira que tomaram, e 41% se sentem confortáveis em usá-la para planejamento de longo prazo. Entre os Baby Boomers, ambos os índices ficam em 5%. Quando se isolam pessoas que já pagam por aconselhamento humano, a influência é ainda maior: na pesquisa Betterment Advisor Solutions 2026, feita em junho com 1.001 clientes de consultores, 65% dos clientes da Geração Z afirmam que a IA influenciou uma decisão que não tomariam de outra forma — o maior índice entre todas as gerações.
Pesquisadores descrevem o padrão como “paradoxo da confiança” da IA: a disposição para usar ferramentas supera a confiança real nelas, impulsionada pelo medo de ficar de fora e pela aposta de que o ganho de eficiência compensa o risco. Para Andrew Lendnal, chefe de bem-estar financeiro da Wealthspire, os jovens adultos não têm um problema de informação, mas de qualidade da informação, confiança e tomada de decisão. A Pesquisa Modern Wealth, da Charles Schwab, mostra que a Geração Z começa a investir aos 19 anos em média, 16 anos antes dos Baby Boomers, e que 48% aprendem sobre investimentos principalmente pelas redes sociais — embora classifiquem pais e profissionais financeiros acima das redes quando perguntados em quem realmente confiam.
O apetite por retorno rápido aparece no destino do dinheiro. Ainda segundo a Betterment, 52% dos investidores da Geração Z redirecionaram recursos antes reservados a investimentos para apostas esportivas no último ano, e 14% o fazem várias vezes por mês. Mais de um quarto (26%) descreve as apostas como parte de uma estratégia financeira deliberada, ante 14% dos Millennials, 6% da Geração X e 1% dos Boomers. Casas de apostas têm investido em IA generativa para esse público, com odds personalizadas e sugestões ajustadas ao histórico do usuário, e copilotos de apostas baseados em IA fazem para apostadores algo semelhante ao que um robo-advisor faz para investidores.
O movimento tem implicações concretas. O Federal Reserve de Nova York associou a disseminação das apostas esportivas legalizadas ao aumento das taxas de inadimplência e falência nos estados que as adotaram mais cedo, e pesquisa de 2025 da U.S. News apontou que um quarto dos apostadores esportivos perdeu o pagamento de alguma conta por causa das apostas, com 30% contraindo dívidas para financiá-las. Para Dan Egan, VP de finanças comportamentais da Betterment, apostar não é necessariamente negativo se definido como entretenimento no orçamento, mas é preocupante quando passa a ser visto como forma de construir riqueza: investir coloca dinheiro em ativos que podem se valorizar, enquanto apostar é um jogo de soma negativa.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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Por Redação