Governo de Santa Catarina projeta sistema aquaviário na Grande Florianópolis
O governo de Santa Catarina e as prefeituras da Grande Florianópolis articulam um projeto-piloto de transporte aquaviário para ligar o continente à Ilha de Santa Catarina. A proposta, conduzida pela Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias, prevê rotas saindo de Palhoça e de Biguaçu com destino ao centro da capital, com possibilidade de uma parada intermediária em São José. O objetivo é oferecer uma alternativa de mobilidade para pedestres e ciclistas, com subsídio estadual para manter a tarifa acessível.
Nesta fase inicial de testes, as embarcações serão destinadas exclusivamente ao transporte de passageiros a pé e de ciclistas, sem espaço para automóveis. A expectativa é atrair tanto usuários habituais do sistema de ônibus quanto pessoas que hoje utilizam outros meios de locomoção. O projeto deve durar pelo menos 12 meses, período em que o estado pretende observar as variações de demanda ao longo das estações do ano e avaliar a viabilidade financeira da operação.
O planejamento prevê duas trajetórias principais: a rota sul, partindo de Palhoça em direção ao centro de Florianópolis, e a rota norte, saindo de Biguaçu com o mesmo destino. Em ambos os casos, existe a possibilidade técnica de incluir uma parada em São José. As viagens devem percorrer distâncias entre 11 e 20 quilômetros, com duração estimada de 20 a 35 minutos, já considerando as manobras de atracação e o embarque. As saídas estão previstas para ocorrer a cada 30 minutos nos horários de maior movimento.
Especialistas em sistemas de transporte apontam que o principal desafio é provar que o barco é mais vantajoso que o trajeto por terra. O cálculo precisa levar em conta o tempo total da jornada, incluindo o deslocamento até o terminal, a espera e o trajeto final após o desembarque. A integração tarifária também é considerada crucial: defende-se que o custo combinado de ônibus e barco não ultrapasse o valor pago atualmente apenas pelo ônibus. Atrair quem usa carro é outro ponto difícil, já que o transporte coletivo oferece menos flexibilidade para tarefas cotidianas, como paradas em mercados ou escolas.
Antes do início das operações, o governo estadual precisa concluir etapas técnicas e burocráticas, como a verificação das condições de navegação, a obtenção de licenças ambientais e obras para reformar ou construir novos terminais. Também é necessário definir protocolos de segurança para dias de mau tempo, com limites de vento e ondas que podem suspender as saídas. Somente após a validação dessas estruturas e regras o estado lançará a licitação para contratar a empresa que operará o serviço. O início das viagens ainda não tem data definida.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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