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Grande revisão científica aponta falta de provas para uso medicinal da maconha

Por Redação
Atualizado em 23/08/2026 às 09:35 schedule 3 min de leitura visibility 11 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Uma revisão que analisou 5.774 estudos produzidos ao longo de 45 anos concluiu que não há evidências científicas robustas para o uso de canabinoides, derivados da maconha, no tratamento de transtornos mentais comuns, como depressão e ansiedade. A conclusão ocorre em um momento de expansão regulatória no Brasil, onde a Anvisa liberou recentemente o cultivo da planta para fins medicinais e de pesquisa científica.

Os pesquisadores apontaram que falta fundamentação confiável para o uso da maconha medicinal em casos de ansiedade, depressão, transtorno bipolar e estresse pós-traumático. Embora compostos como THC e CBD sejam amplamente citados, a análise mostrou que eles não apresentam efeitos clinicamente significativos para essas condições psiquiátricas. Em casos de dependência de cocaína, o estudo identificou até um efeito negativo, com o aumento do desejo pela droga. O grau de confiança nas poucas evidências favoráveis para outras doenças foi classificado como baixo ou muito baixo.

As evidências mais sólidas de benefício terapêutico se restringem a condições médicas específicas e graves, como as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut, formas raras de epilepsia infantil de difícil controle. Fora desses cenários neurológicos, as indicações frequentemente associadas à cannabis medicinal, especialmente na psiquiatria e nos transtornos de humor, ainda carecem de dados que confirmem eficácia superior aos métodos tradicionais.

A pesquisa também revelou que pacientes que utilizam canabinoides têm chance significativamente maior de sofrer efeitos adversos em comparação aos que recebem placebo. A estimativa é de que um em cada sete pacientes apresente problemas como boca seca, náuseas, diarreia e tontura. Eventos graves não mostraram diferença estatística relevante, mas a frequência de desconfortos comuns levanta alerta sobre a segurança do uso disseminado, especialmente sem comprovação clara de benefício para o transtorno tratado.

No Brasil, o cenário mudou em agosto de 2026, após normas da Anvisa e decisões do STJ entrarem em vigor, permitindo que empresas e instituições solicitem autorização para cultivar Cannabis sativa em território nacional para fins medicinais e científicos. O movimento é impulsionado por um mercado global que deve atingir US$ 47,5 bilhões até 2030. No entanto, o avanço jurídico e econômico ocorre de forma mais veloz do que a produção de provas científicas, gerando um descompasso entre o que é permitido por lei e o que é comprovado pela medicina.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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