Guerra pesa sobre economia do Irã, conforme EUA intensificam sanções
Os líderes do Irã reconhecem publicamente o impacto econômico do conflito com os Estados Unidos, enquanto o governo de Washington intensifica as sanções contra Teerã. O líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, exortou o governo a enfrentar as dificuldades, e o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o comércio exterior do país encolheu em cerca de um terço devido às sanções e ao bloqueio naval norte-americano.
Apesar da pressão, Teerã não deu sinais de recuo neste sábado. O governo prometeu resistir, buscar a via diplomática e manter o controle sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para os mercados globais de energia. Em comunicado divulgado pela mídia estatal, o governo classificou como prioridade central lidar com as pressões econômicas, incluindo conter a inflação, gerenciar os mercados, criar empregos, direcionar investimentos para a produção nacional e reduzir gradualmente a dependência do dólar.
Seis meses após o início da guerra, as negociações seguem em impasse. O governo do presidente Donald Trump intensificou os esforços para punir financeiramente o Irã com o que chamou de "Dia D econômico". Washington advertiu países a cortarem laços comerciais com o Irã ou enfrentarem sanções secundárias, embora o Departamento do Tesouro tenha evitado impor penalidades contra os principais parceiros comerciais do Irã, como China e Índia, o que poderia ter repercussões para as economias dos EUA e global.
A nova onda de sanções agrava os efeitos da guerra sobre a economia iraniana, onde a inflação anual atingiu 66% no mês passado. O líder supremo, que não é visto em público desde que ficou ferido no ataque inicial de 28 de fevereiro, que matou seu pai e ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou por escrito que é preciso abordar seriamente a cadeia de desafios econômicos e de subsistência, como inflação, desemprego, gestão de preços e o mercado de bens e serviços.
O presidente Pezeshkian disse à mídia estatal que as exportações e importações iranianas caíram quase 35% devido às sanções e ao bloqueio naval. Ele afirmou que o Irã conseguiu vender cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante a breve vigência de um memorando de entendimento assinado entre os EUA e o Irã em junho, quando Washington permitiu as vendas. Em pronunciamento na TV estatal, Pezeshkian defendeu a retomada do acordo provisório, assinado em 17 de junho, mas que fracassou rapidamente devido a divergências sobre os termos, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz. "Podemos resolver nossos problemas e recuperar nossos privilégios com o memorando de entendimento", disse ele sobre o documento, que oferecia ao Irã alívio imediato das sanções e a liberação de ativos congelados.
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