IA dá eficiência a escritórios de advocacia e clientes questionam: ‘Cadê o desconto?’
Os maiores escritórios de advocacia dos Estados Unidos estão empenhados em demonstrar que abraçaram a inteligência artificial, em vez de vê-la como ameaça. Após o anúncio recente da OpenAI de uma versão de seu modelo de IA voltada a advogados, algumas bancas de ponta apresentaram suas próprias ferramentas. A Sullivan & Cromwell lançou o Agreement Analyzer, para revisão de contratos; a Cooley apresentou o Go Public, voltado ao processo de elaboração do S-1 que antecede uma oferta pública inicial; e a Ropes & Gray afirmou estar desenvolvendo uma ferramenta capaz de produzir um relatório de due diligence detalhado em horas, e não em semanas.
O movimento acompanha uma onda de novidades no setor jurídico. No último ano, Google e Anthropic também lançaram ferramentas de IA para advogados, escritórios começaram a contratar diretores de IA e gigantes como a Kirkland & Ellis anunciaram grandes investimentos na criação de sistemas próprios. Para a maioria das empresas, exibir expertise em IA seria uma vantagem clara. Em um setor que cobra por hora, porém, isso gerou desconforto: os clientes querem saber quando a eficiência vai se traduzir em contas mais baixas.
Segundo Neill Jakobe, vice-presidente da Ropes & Gray, os clientes reconhecem que a IA deixa os escritórios mais rápidos e eficientes, mas perguntam o que isso significa para eles. Alguns já usam a própria IA para pleitear descontos. Jennifer Leonard, fundadora da Creative Lawyers, que assessora escritórios e departamentos jurídicos corporativos na adaptação à tecnologia, disse que escritórios e clientes têm usado agentes de IA para identificar itens em contas em que a IA poderia ter economizado horas — e então riscam esses valores pedindo abatimento. Equipes jurídicas internas frequentemente pedem descontos de 20% a 30% em toda a conta, afirmou Kyle Poe, vice-presidente de inovação jurídica da Legora.
Os escritórios costumam resistir a cortes tão profundos. Argumentam que a IA ainda não economiza tanto tempo assim e que a tecnologia muda a composição das horas, com menos trabalho braçal e mais análise substantiva. A pressão ocorre enquanto surgem concorrentes “nativos de IA”, que dependem fortemente de agentes e cobram preços fixos antecipados. A Norm AI, empresa de tecnologia com escritório de advocacia afiliado voltado ao setor financeiro, captou US$ 260 milhões em julho, com valuation de US$ 1,2 bilhão, e agora tem entre seus clientes as próprias investidoras.
O dilema é claro: usar IA para trabalhar mais rápido reduz as horas faturáveis, mas os honorários não sobem o suficiente para compensar; não usar abre espaço para a concorrência superar no preço. Pesquisa do Citi com 55 grandes escritórios mostrou que 35% esperavam mudar seus modelos de cobrança por hora no ano seguinte por causa da IA, e 65% até 2035. Ainda assim, a receita dos grandes escritórios cresceu mais de 12% em média no primeiro semestre, segundo o Wells Fargo, e poucos no setor esperam o fim completo da cobrança por hora.
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Por Redação