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IA vai decidir sua vez na fila do SUS? Propostas de candidatos da esquerda à direita não são simples de implementar

Atualizado em 25/09/2026 às 14:35 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A adoção de inteligência artificial no Sistema Único de Saúde (SUS) aparece nos planos de governo de candidatos de diferentes espectros políticos nas eleições de 2026. As propostas, que vão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Flávio Bolsonaro (PL), incluem o uso da tecnologia para triagem de pacientes e auxílio a diagnósticos, mas especialistas apontam obstáculos para que saiam do papel.

Um dos pontos comuns é a substituição da tradicional fila por ordem de chegada por uma triagem orientada por algoritmos, na qual a vez do paciente seria definida com base em fatores como gravidade e risco de progressão da doença. No programa de Flávio Bolsonaro, a IA é proposta para agilizar o agendamento de consultas e exames e como apoio à prevenção. Lula defende aprimorar a regulação do acesso à atenção especializada, com "fila única digital e ordenada pelo risco clínico". Já Renan Santos (Missão) propõe substituir o modelo de fila cronológica e cita diretamente uma plataforma de El Salvador criada pelo governo Bukele.

Para Alexandre Chiavegatto Filho, professor de inteligência artificial na Faculdade de Saúde Pública da USP, a adoção da IA na gestão da saúde é inevitável e a área tende a ser a maior beneficiária da tecnologia. Ele afirma que há potencial de uso desde o primeiro contato do paciente com o sistema até a alta, principalmente no auxílio ao diagnóstico, e destaca a possibilidade de ampliar o acesso a especialistas em regiões onde eles são escassos.

Outros especialistas, porém, são menos otimistas. Wagner Meira Jr., professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, considera as propostas "futuristas" em alguns casos e diz que dificilmente se realizam em quatro anos de governo. Ele aponta que não basta mudar a ordem dos pacientes se a capacidade de atendimento continuar a mesma, e chama atenção para a qualidade dos dados disponíveis no SUS, formados em grande parte por registros administrativos criados para fins de faturamento.

Segundo o Ministério da Saúde, não existe hoje um número nacional consolidado de quantas pessoas aguardam atendimento no SUS, porque a gestão das filas é de competência de Estados e municípios. Uma portaria publicada em 2025 passou a exigir o envio periódico e padronizado desses registros à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), mas a medida ainda está em fase de implementação. Meira Jr. alerta ainda para o risco do falso negativo — quando a IA deixa de identificar quem precisava de atendimento — e defende que o país desenvolva essas tecnologias de forma gradual e com mecanismos de controle.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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