Ibovespa: após forte volatilidade, índice fecha em queda de 0,86%; o que explica?
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (23) em queda de 0,86%, aos 185.814,09 pontos, após uma sessão marcada por fortes oscilações. O índice alternou entre perdas expressivas e ganhos ao longo do dia, refletindo a combinação de incertezas eleitorais, avanço do dólar, alta dos juros globais e novas preocupações com o cenário geopolítico.
Na abertura, a reação dos investidores foi negativa. O índice recuou 0,73%, aos 186.051 pontos, influenciado pela repercussão de uma nova pesquisa eleitoral AtlasIntel/Bloomberg, que voltou a mostrar o presidente Lula numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, ainda dentro da margem de erro. Parte do mercado avalia que uma vitória de Lula reduziria a probabilidade de um ajuste fiscal mais profundo a partir de 2027, mantendo pressão sobre os prêmios de risco dos ativos brasileiros.
Para Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, o que está em jogo não é o nome de quem vai ganhar. "É a trajetória da dívida. Enquanto não houver um sinal claro de compromisso com as contas públicas, acredito que o investidor vai continuar exigindo juros mais altos para financiar o país e vai buscar proteção no dólar", afirma.
Apesar do início turbulento, a Bolsa encontrou suporte e virou para o campo positivo ainda na primeira hora de negócios, impulsionada principalmente por Petrobras (PETR3; PETR4), atingindo máxima de 188.772 pontos, alta de 0,72%. Segundo Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, o movimento refletiu uma combinação de recompra técnica após a queda inicial e a recuperação dos preços do petróleo. A recuperação, no entanto, não se sustentou: ao longo da tarde, o índice passou a acompanhar a deterioração dos mercados internacionais e o fortalecimento do dólar.
O dólar comercial fechou com alta de 1,28%, a R$ 5,167. Os juros futuros subiram em toda a curva, acompanhando a alta dos Treasuries americanos, cujo rendimento de dez anos voltou a superar 5%, além da recuperação do petróleo. No exterior, os principais índices de Nova York recuaram, e o Brent voltou a superar US$ 100 por barril após novas tensões no Oriente Médio.
Entre as ações de maior peso, Petrobras foi um dos poucos destaques positivos, com PETR4 em alta de 2,59%, apoiada pela alta do petróleo e por relatórios favoráveis de analistas. Vale (VALE3) recuou 1,85%, e os grandes bancos também pressionaram o índice: Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) caíram cerca de 2%, enquanto Santander (SANB11) recuou cerca de 1%.
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Por Redação