Ibovespa cai 18,12% na semana, maior baixa desde 2020 e 5ª maior desde o Plano Real
O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (30) com queda de 0,75%, a 167.921,80 pontos, em dados preliminares, e fechou a semana com perda de 18,12%. Foi a maior baixa semanal desde o recuo de 18,88% na semana encerrada em 20 de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. Na sessão, o índice chegou a 167.007,57 pontos na mínima e a 169.184,60 pontos na máxima. No mês, a desvalorização é de 9,88%, a maior desde junho de 2022.
Segundo a consultoria Elos Ayta, a queda desta semana é a quinta maior desde o Plano Real, em julho de 1994. A maior perda semanal do período ocorreu em 31 de outubro de 1997, com recuo de 22,17%, durante a crise financeira asiática. Em seguida vêm a semana de 10 de outubro de 2008, com baixa de 20,01% em meio à crise global agravada pela falência do Lehman Brothers, e a de 20 de março de 2020, com 18,88%. A quarta maior foi registrada em 14 de setembro de 2001, com desvalorização de 18,12%, na semana dos atentados terroristas nos Estados Unidos.
De acordo com Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, a queda atual se diferencia das anteriores por ter como principal catalisador um acontecimento político brasileiro. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariou expectativas de parte dos investidores, que haviam incorporado aos preços a possibilidade de mudança na condução da política econômica. A reversão dessas expectativas provocou forte correção das ações, acompanhada pelo aumento da percepção de risco fiscal e pela reavaliação das perspectivas para os juros.
O economista Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, afirma que o cenário segue incerto por causa das preocupações fiscais no ano que vem, no quarto mandato do presidente. Ele destaca a ausência de declarações do governo que apaziguassem o humor dos mercados no sentido de promover ajustes. Analistas também apontam que não há sinais sobre quem comporá a equipe econômica a partir de 2027.
O ambiente externo também contribuiu para a cautela, em meio à temporada de balanços corporativos. Resultados de Amazon e Intel frustraram expectativas e reforçaram temores sobre os impactos dos pesados investimentos em inteligência artificial no caixa das empresas, segundo Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria. A alta do petróleo elevou receios inflacionários e reforçou a perspectiva de juros globais mais altos. No radar doméstico, ficaram os resultados trimestrais de Vale, Usiminas e Klabin, além da reunião de chanceleres do G20, com a presença do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em Atlanta.
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