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“IPCA+ americano” paga maior juro em 18 anos: veja quanto rende e se vale investir

Atualizado em 25/09/2026 às 11:20 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Enquanto o investidor brasileiro acompanha a queda das taxas reais do Tesouro IPCA+ nos últimos meses, o investidor americano vê seus títulos de inflação pagando o maior juro real em quase 18 anos. O papel de 10 anos do TIPS (Treasury Inflation-Protected Securities), títulos do Tesouro americano corrigidos pela inflação dos Estados Unidos, entregava, na quinta-feira (24), juro real de 2,81% ao ano, o maior nível desde novembro de 2008, no auge da crise financeira global. Há um ano, segundo dados do Federal Reserve, a taxa estava em 1,78%.

O juro americano segue bem abaixo do entregue pelo Tesouro IPCA+ de prazo semelhante, e a diferença só é compensada se o real perder valor frente ao dólar ao longo dos anos. A pedido do InfoMoney, Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, calculou esse ponto de empate para dez anos, usando as taxas praticadas na quarta-feira (23): 7,23% ao ano no Tesouro IPCA+ e 2,697% no TIPS de 10 anos. Considerando as inflações americana e brasileira, IOF e Imposto de Renda, o dólar precisaria subir cerca de 6,7% ao ano pelos próximos dez anos para as duas aplicações empatarem. Nesse ritmo, a moeda americana acumularia alta de 91,6% ante o real.

Em uma simulação com R$ 50 mil investidos, o Tesouro IPCA+ sem cupom semestral termina a década com retorno de R$ 140.152 líquidos. O TIPS chegaria a R$ 77.175 com o dólar estável. Se a moeda americana repetir a alta média de cerca de 5,5% ao ano registrada desde o Plano Real, o TIPS chegaria a R$ 125.834, ou R$ 14.319 a menos que o Tesouro IPCA+. Com alta de 8% ao ano, o título americano ganharia por R$ 16.608. Trevisan reconhece que, "pelo retorno esperado, o IPCA+ ainda sai na frente no cenário central". Para ele, a diferença é o preço de manter parte do patrimônio na moeda de reserva do mundo.

Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, faz uma leitura mais cética. Em janelas longas, diz, o câmbio real brasileiro tende a voltar à média, com picos violentos no caminho. Por essa leitura, uma depreciação real dessa magnitude sustentada por uma década "não é impossível, mas é bem difícil" — seria um evento de cauda. Ronaldo Guimarães, sócio da KAT Investimentos, afirma que "quem compra esperando isso (a alta do dólar) está comprando uma aposta cambial disfarçada de renda fixa" e vê o TIPS como complemento, e não substituto, do IPCA+.

Luis Ferreira, CIO para as Américas do EFG Asset Management, sugere que o investidor se pergunte se quer proteger o IPCA ou preservar seu poder de compra. Em famílias de alta renda, parte relevante das despesas se liga ao dólar, com viagens, educação e produtos importados. "Internacionalizar não significa trocar um bom investimento no Brasil por um investimento pior lá fora. Significa deixar de depender de uma única moeda e de um único país", diz. Para Almeida, a troca raramente faz sentido com o juro real no patamar atual, mas poderia se justificar para quem tem passivos em dólar, como seguro contra um cenário de cauda no Brasil ou como diversificação para quem está concentrado em risco soberano brasileiro. "Em todos esses três casos, a pergunta seria quanto de seguro eu quero pagar, e não qual rende mais."

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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